sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Travesseiro de concreto

Era um dia de sábado, aproximadamente umas 19h, Lígia estava sentada no banco da praça central da cidade. Um olhar distante, um sorriso perdido no rosto infante, observava as pessoas indo e vindo, alguns sentavam nos bancos, outros brincavam como crianças num parque de diversão, eram casais de namorados. E apaixonados são como crianças no vão do tempo, todos felizes. Mas Lígia não estava namorando, muito menos passeando. Ali era a sua casa, era onde ela deitava, dormia, acordava e a vida nada mudava, e até parecia que não passava. Jovem, tinha aproximadamente uns 22 anos. Veio para cidade grande à procura da vida, não encontrando foi morar numa cidade do interior, e o único lugar que encontrou como hospedaria foi a praça, com aquela cama dura, com aquele travesseiro de concreto. Estava sozinha, não tinha ninguém por ela, lembrava constantemente de sua família, lembrava da roça, do canavial, do plantio de mandioca; da vida que levava lá no interior do país. Sabia, como ninguém, plantar, colher e comer. "Na cidade grande é diferente, se não tivermos cuidados, nós que somos comidos". - Ela se lamentava, ali, no banco da praça. Seus cabelos pretos e longos, sua cor queimada pelo sol, seus olhos verdes... estavam ao léu no banco da praça. Procurou emprego em todos os lugares possíveis. Ouvia sempre a mesma coisa: tem experiência? Não, né? Então não serve. E a história dela é dolorida, ela não veio por espontânea vontade, ela conta que foi seduzida por um comercial que ela assistiu na casa da tia dela na cidade, o comercial mostrava São Paulo como o centro do mundo, como o melhor lugar do mundo. E pode até ser, mas não pra ela. Lígia viveu mais ou menos um ano na praça. De repente sumiu. Nunca mais viram aquele olhar, aqueles cabelos pretos e longos depois daquela. Nunca mais!

adenildo lima

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Minhas colunas na revista

Olá, leitoras e leitores deste espaço, vou deixar um link de uma revista onde sou colunista, tenho lá, todos os meses um artigo cultural, se puderem, passem por lá....rs... é só copiar e colar o link que vai direto para página. Essa revista tem uma tiragem mensal (impressa) de 15.000 exemplares. Isso me deixa feliz, pois lá eu falo de um assunto que amo muito: arte.

http://www.companysul.com.br/edicoes/edicao-28/cultural.html

http://www.companysul.com.br/edicoes/edicao-29/cultural.html

http://www.companysul.com.br/

OBS: não tenho nenhum vínculo com a revista, além de colunista

Brigado a todos

adenildo lima

a lua é testemunha

era noite de lua cheia e isabella saiu caminhando estrada afora. estávamos num sítio, vivendo e aproveitando um pouco da riqueza natural que a natureza oferece. ela era ousada e se ousava a tirar o fôlego dos pobres rapazes, ali, presentes. depois, convidou ezequiel pra um passeio a luz do luar. caminhando estrada afora, com um vestido que acompanhava o movimento do vento, deixando os cabelos soltos ao léu. e do nada, convidou ezequiel pra sentar a beira de um pequeno lago. alguns animais vinham, bebiam água, sorriam pra eles e iam passear pelos matos. os dois, ali, continuavam conversando. isabella aos poucos ia encostando as pernas nas pernas de ezequiel. o corpo dele tremia de êxtase. ela merguçha na agua, ainda vestida e o seu vestido fica todo molhado deixando aparecer as marcas sensuais do corpo. ezequiel tenta disfarçar o olhar. ela o convida a sentir o carinho da água. em seguida aceita. e os dois se banham juntos. e o corpo dela ao encostar no dele, o dele no dela, as roupas caem, os corpos ficam nus, e eles se amam loucamente.

e nas loucuras do amor, uma folha cai, e a natureza os contempla.

adenildo lima

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

máquinas

É dia de sol, mas o dia passa pela janela do escritório. A janela está aberta, mas estou preso à vida, esta vida privada que levamos. A hora demora, os segundos sufocam... O tempo, o tempo, o tempo, o tempo... anda relógio miserável, filho de uma mãe que não te pariu... anda, anda, anda... mas o relógio não anda, os ponteiros não saem do lugar, e uma máquina fica na minha frente controlando-me, maldita máquina, tudo bem que não sois tãop ruim quanto a máquina humana, mas aos poucos me destrói... e a vida passa sem pressa com muita pressa para chegar o final de semana, mas o final de semana é muito curto e passa muito rápido e a segunda-feira chega, invade sem pedir licença. E na vida real o filme de charles chaplin se repete, só que em tempos pós-modernos, matando com mais suavidade.

adenildo lima


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Gabriela marca

Gabriela marca, sim, o nome dela é Gabriela marca, mas ela não existe, e existe. O momento que será descrito neste texto é atual, o cenário é em pleno século xxi.

Possivelmente ela tenha 17 anos de idade, não tenho a idade precisa, mas é o que me parece, 17 anos de idade, jovem garota a flor da pele, mas quem está lendo este texto, nesse exato momento, talvez esteja se perguntando: Por que ela existe? Por que ela não existe? E eu respondo que não sei, mas através das palavras, acredito que possamos desvendar esse mistério.

Sim, isso é um mistério. Se estivéssemos falando de filosofia, tudo bem, pois a filosofia deixa claro que tudo existe e tudo não existe (desculpa, claro não, a filosofia complica mais - rs - brincadeira, deixa os estudante de filosofia lerem este texto rs). Mas aqui não estamos falando de filosofia, estamos falando de Gabriela marca, uma jovem garota de 17 anos de idade, possivelmente.

Conversando com a mãe dela, descobri que ela passa por várias confusões de identidade. Têm dias que ela pinta o cabelo, noutros dias, se veste igual a menina da televisão. Adora ir ao shopping, diz ela que, lá se sente bem, fica olhando as vitrines, se olha no espelho, veste uma roupa, compra um tênis... tudo de marca, se não for de marca - a mãe dela diz que -, ela não se sente à vontade, perde a vontade de passear, de ir pra escola, se sente neutra, por isso precisa de uma roupa para marcar sua identidade através das marcas.

A mãe dela ri, brinca, fica preocupada e diz que não aguenta mais. Pobre de dona Cláudia, ganha apenas um salário mínimo, e sua filha nem sabe o que é isso, quer mesmo é produtos de marcas para marcar sua identidade.

É, dona Cláudia, essa é a época pós-moderna em que vivemos. Será que a Gabriela tem alguns objetivos?

adenildo lima

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

pequena crônica

Hoje, quando joãozinho acordou, estava chuvendo e, na imensidão do tempo, uns raios davam bom dia ao dia que seria corrido e estressante. Joãozinho, então, resolveu deitar mais um pouquinho, dormiu mais 30 minutos. Levantou, tomou banho, fez um café e tomou. Saiu em destino ao ponto de ônibus, ao chegar, não conseguiu entrar, veio um , dois, três, quatro ônibus... e nada! Mesmo calmo, ele xingou o poder público, e saiu em destino ao terminal de trem. No caminho, dentro do trem, começa conversar com uma jovem, aparentemente uns 20 anos de idade, simpática e muito conversadeira, sempre com um sorriso aberto. Conversamos, discutimos um pouco sobre a vida e, antes que ela fosse embora, perguntaram-se: o que é a vida, né? e riram.

adenildo lima

terça-feira, 20 de outubro de 2009

do meu diário

amigo leitor, este texto retrata uma data dolorida em minha vida e, neste dia, eu fiz um poema:

o voo da poesia

já é madrugada
a noite surge no silêncio...
com dois fones nos ouvidos
fico ouvindo umas músicas
a poesia vem aos poucos
me abraça, me ama
e deseja ter vida
ela quer ganhar asas, pernas, braços
através das mãos deste simples mortal
e o poeta é sinsível
sente vontade de chorar
vêm lembranças fortes
(neste momento estou na mesa de jantar
na sala está o meu irmão
fazendo trabalho de filosofia
sobre o manifesto comunista.
um dos meus irmãos está
na casa da namorada,
outro está dormindo;
a minha mãe também já deitou)
agora, já são quase duas horas da manhã
mas vou considerar como sábado
dia 10 de outubro de 2009.
a poesia quer ganhar asas, pernas
através das mãos deste pobre mortal.
o poeta é sensível e sente vontade de chrar.
hoje é dia 10 de outubro de 2009
justamente hoje, amigo leitor,
completam 2 anos que o meu pai partiu
ganhou asas e voou...
a madrugada tem um silêncio
muito forte e faz despertar em mim
uma saudade, um amor, uma pergunta
que a poesia procura me ajudar na resposta.
uma música entra pelo meus ouvidos
e eu voo e vou para muito longe
parece que a poesia começa a ganhar asas
o poeta ama e, na solidão do silêncio tão carinhoso,
abraça o tempo, beija o vento
e se vai
hoje é dia 10 de outubro de 2009
daqui a 2 meses se comemora
o meu aniversário - 10/12/09
o tempo pode passar
mas existem tempos que são
sempre presentes
mesmo que que seja no passado
memso que seja no futuro
pois só o presente existe

adenildo lima

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O carteiro

Hoje, senti saudade dos velhos tempos, tão novos e tão reviventes em minha vida. Cheguei na empresa e através da porta aberta do escritório, consegui alcançar o sorriso do sol me dando bom dia, um sol misturado com um ar frio, e com um vento bem carinhoso. Tive saudade das flores colhidas pelo caminho - que nós colhemos -, das flores plantadas pelas estradas - que nós plantamos -, tive saudade. Mas não foi uma saudade de ausência, foi uma saudade boa, sabe, aquela saudade que nos aproxima mais e mais das pessoas amadas...? Aí, abri um sorriso, mas não tinha espelho para poder vê-lo refletido, nessa hora lembrei de você, lembrei das flores e do jardim construído por nós. Tirei, de uma rosa, uma pétala, e pedi ao sol para levá-la até você, não sei se você recebeu, mas saiba que este é o meu simples presente que estou dividindo contigo.

(este texto é um e-mail que escrevi pra uma pessoa muito especial, gostei dele, por isso divido aqui com vocês, neste espaço).

adenildo lima

Saudade

Em algum lugar as flores estão caindo, o chão está ficando repleto de rosas, vejo em minha frente um tapete vermelho. Neste momento surgem em mim sonhos, lembranças, saudades. Mas o que traduz uma saudade?

Saudade é um sentimento de amor, algo que nos remete a momentos bons, que possamos dizer: eternos. E todas às vezes que lembramos, mesmo sentindo uma dor, vem uma coisa boa acompanhando aquela lembrança.

Saudade é um sentimento de amor, que muitas vezes esquecemos, e pensamos que é sofrimento.

Adenildo Lima

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

15 de outubro

Hoje, no Brasil, é comemorado o dia do professor. E eu pergunto: o que comemorar com essa educação que temos?

Comemorar algo é poder se orgulhar de algo, e como professor, eu me orgulho muito dessa doação de amor para a sociedade.

Sim, falo doação de amor. Com o salário que tem um professor no Brasil, com o descaso do poder público com a educação, com milhões de jovens, crianças e adultos todos órfãos de atenção política... Eu continuo me perguntando o que comemorar?

Vamos comemorar a garra do homem, da mulher que põe uns livros debaixo do braço entra numa sala de aula e se depara com 50, 55 alunos e, mesmo assim, fala em voz alta, explica ... com o objetivo de a sociedade melhorar.

Sim, somos heróis. Ser professor com a educação que temos hoje no Brasil somos heróis. Parabésn, professores, vocês sempre deixam um pouco de vocês com a gente.

Só espero que muitos alunos não tenham a mesma experiência que eu tive na PUC. A experiência de ter uma professora que entra na sala, não apresenta sua metodologia de ensino, avalia o aluno com apenas a prova, e ainda no final o reprova. Isso aconteceu comigo no curso de pós-graduação - especialização em língua portuguesa -. Cancelei a matrícula, não tinha saco para continuar ouvindo aquela mulher falando do cachorro que saiu pra passear com ela, do esposo, que é médico, do filho... do vizinho... dane-se... isso não é professor!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Então, prcisamos erguer os braços e, realmente, doar um pouco de nós pra essa sociedade pós-moderna, tão sem rumo e sem direção.

adenido lima

Leiam comigo

Queridos leitores, agora pela manhã fiz uma visita nesta página http://www.viomundo.com.br e encontrei o seguinte artigo, leiam comigo:

"por Marco Aurélio Mello, no Doladodelá, que está contando a história da TV Globo em riquíssimos detalhes. Ainda dará um livro:

"Os trabalhadores rurais sem-terra acabam de invadir uma propriedade no Pontal do Paranapanema", gritou um dos produtores da emissora, que ainda hoje captura a atenção de 3, dos 5 brasileiros que têm TV no país. Era abril de 2001. (O Abril Vermelho) Imediatamente, a editora-chefe encomendou uma nota para mim. Liguei para a 'praça', para apurar a notícia. Não teríamos imagens, porque o local era distante demais da emissora daquela região. Quanto aos fatos, sabíamos apenas que não houve uso da força e não havia ninguém na área, apenas um bosque e um enorme pasto, sem uso. O MST informava que tratava-se, não de invasão, mas de ocupação da área, que pertencia à União, era terra devoluta. Devoluta? Lá fui eu ao dicionário pesquisar direito o que era isso. Descobri que o termo derivava de uma lei de D. Pedro I, de 1850. Eram as terras devolvidas ao Reino de Portugal, caso não se tornassem produtivas no prazo de seis anos. Atualmente, a terra é considerada devoluta quando é possível comprovar que não é registrada, nem possuída por ninguém e está desabitada. Escrevi a nota dizendo mais ou menos isso (em trinta segundos!). No dia seguinte havia uma determinação do Rio (nunca dizem quem determinou, mas instintivamente a gente sabe...). A ordem era para que, a partir daquele dia, tratássemos as ações do MST de forma padronizada. No lugar de ocupação, teríamos que grafar invasão. Não falaríamos em 'terras devolutas, porque o povão não entenderia'. E acompanharíamos a decisão da justiça sobre a reintegração, ou não, da posse. Era um ponto de inflexão, se é que me permitem a licença poética. Aos poucos, e sem alarde, estávamos criminalizando um dos mais legítimos movimentos reivindicatórios da história do país. Aquele que, em 1996/97 marchou para Brasília e à força incluiu o tema na pauta do Governo de plantão. Hoje, quem diria, até o Kotscho faz coro contra os sem-terra. Ele se esquece dos 'provocadores', dos 'infiltrados', dos 'policiais à serviço dos grileiros', das 'demandas sociais de outros excluídos', que encontram refúgio no MST e, às vezes, excedem. Mas, mais do que isso, Kotscho se esquece do saldo de 1600 mortos em conflitos agrários. Que mundo é possível, vendo a realidade por lentes assim. Sinceramente, eu não sei..."

Para o leitor, assim como eu, que desconfia de tudo, é bom sempre fazer várias pesquisas, acredito que este artigo deixa claro o que é a mídia e o que é o MST

adenildo lima



Francisco

Francisco, um dia desses, pegou o trem sentido a Osasco, na estação cidade universitária o trem quebrou. Uma multidão de gente saiu desesperado, subindo e descendo escada. Francisco resolveu pegar o trem de volta. Voltou. Chegou em casa deitou e dormiu. Francisco agora faz um caminho diferente todos os dias. E até brinca com seus sonhos nessa estrada de ferro, com um trem quebrado na estação, com um trem voltando para outras estações. E assim ele continua vivendo. Francisco já não sonha mais, resolveu se transformar em matéria e voltar para os braços da mãe terra.

adenildo lima

terça-feira, 13 de outubro de 2009

sonho

ela saiu caminhando rua afora, toda exuberante, jogando os cabelos de um lado pro outro, e com um olhar atraente. os rapazes ficavam loucos, excitados, ao vê-la passar. Alguns tentavam ter sua atenção, ela sorria e seguia seu caminho, toda, demonstrando um ar de felicidade. tinha lá seus 21 anos de idade, já tinha casado uma vez, mas o casamento durou apenas 6 meses. estava no 2º ano da faculdade, cursando ciências sociais. jovem, ainda sonhava em mudar o mundo, o seu país. lia marx, darcy ribeiro, kabengele munanga, florestan fernandes... se encatava com as ideias de marx, se emocionava com o brasileirismo de darcy ribeiro, admirava o pensamento de igualdade de kabengele munanga e tinha florestan fernandes como um modelo, assim, como milton santos e tantos seres humanos no brasil e no mundo que dedicaram a sua vida à sociedade. menina, simpática, exuberante, sorridente... carregava no olhar o retrato de um mundo melhor, pelo menos em suas ideias e amor que carregava naquele coração de menina, de mulher, de estudante...

adenildo lima

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

pensando em você

hoje eu acordei com vontade de beijar o vento, abraçar o tempo e caminhar alegremente sem compromisso e sem regras para seguir. hoje eu olhei o tempo e o silêncio pairado no ar me fez lembrar você, me fez lembrar o seu sorriso, seu jeito de ser, o seu andar, o seu olhar. gritei seu nome, falei bem alto mesmo, mas acho que você não ouviu, aí, fiquei sonhando contigo livre toda sorridente. oh, liberdade é pensar em você.

adenildo lima

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

maria e a máquina

maria está de cara com a máquina. a máquina a encara e escancara um sorriso sarcástico. maria fica exausta, é a nona hora que ela se encontra ali. coloca alguma música pra tocar, tentando fazer com que a máquina não lhe dome. mas a máquina é irônica, nem liga, e não mostra ter medo de maria. maria bate com a mão na mesa, levanta, desce a escada, toma um café (maldito café, fizeram pra me enganar), volta. nada muda, a máquina continua lá, controlando os passos dela. ela sente vontade de chorar, sente vontade de largar tudo e fugir no mundo. a máquina ri, brinca com maria. coitada de maria sente até vontade de quebrar a maldita da máquina. a máquina, maria, o que tá acontecendo, vejo você quase morrendo? maria não responde, maria não fala, maria já se sente máquina. maria já não se conhece mais.

adenildo lima

a menina esperança

no campo minando água e flores coberto com rosas nasceu a menina esperança, ao nascer encontrou pedras, espinhos e gritos ruidosos. a menina esperança, primeiro, pensou em plantar, para depois, cuidar de sua plantação, e colhê-la. mas no percurso de sua vida encontrou a dona estupidez, toda sorridente, pois queria enganá-la, só que a menina esperança cheia de esperança conseguiu destruí-la, com apenas amor. as flores cresceram, os espinhos continuam nela, mas só fere quem não sabe lidar com eles, as pedras também continuam lá, e são tão amorosas. dona estupidez desapareceu. a menina esperança continua viva e vivendo sonforme o que acredita. e tudo o que ela acredita, existe. engraçado, né?

adenildo lima

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

sentimendo íntimo

Existem momentos em nossas vidas que sentimos saudades, sentimos uma dor no peito que até parece sem jeito, vem aquelas lembranças, às vezes da infância; parece que a nossa infância sempre foi feliz, mesmo quando é sofrida. E sentimos saudades! talvez seja da inocência que vamos perdendo com o tempo. Hoje mesmo, senti saudades de tantas coisas, de tantas pessoas, senti saudade até mesmo do amor, não que eu não esteja amando - eu sempre estou amando - não que eu não esteja sendo amado - sempre existe alguém que nos ama -, mas senti saudade do amor no olhar das pessoas, vejo-as correndo demais, às vezes penso que elas não tem tempo para amar, o tempo nessa correria se torna curto. É uma loucura tudo isso.

Um dia desses uma jovem menina ao conversar comigo se queixava do seu namorado, da ausência dele. Reclamou também que gostaria de ouvir um eu te amo de verdade, mas o eu te amo parece fugido na correria nas esquinas que se cruzam na cidade grande. Mas ela também, depois de uma longa conversa, acabou confessando pra mim que o tempo dela também era muito pouco pra desfrutar da vida, pelo menos a vida que ela sonhava. Eu disse a ela que um segundo é muito importante e pode valer por uma eternidade. Ela sorriu. Eu também. Nos abraçamos e ganhamos a estrada da vida, já que não podemos deixar um segundo pro amanhã.

adenildo lima

voz de poeta

O poeta um dia falou:
"amizade de homem com mulher só dura enquanto eles são namorados ou enquanto ela arruma um namorado, depois, só ficam as lembranças".

adenildo lima

dona núbia

95 anos vividos, dona Núbia tinha assistido a muitas cenas da vida, inclusive cenas da 2ª guerra mundial, mas sexta-feira, de uma data não noticiada pelos jornais brasileiros, ela partiu, abraçando o seu corpo, deixando voar o pássaro que estava ali, em si. Dizem que o sol mudou de cor, que o vento abrandou as dores dos seus familiare e que no chão de concreto nasceu flores.

Dona Núbia, mulher forte, mãe de uma nação, partiu, deixando milhares de pessoas sonhando com uma vida mais humana, menos desigual. Antes de partir, ela chamou seus 200 netos, seus vários filhos e tantos parentes mais - ao todo somaram 1500. E, diante deles, lembrou dos 500 anos de Brasil, lembrou dos milhões e milhões de negros e índios assassinados; diante dessa lembrança, ela chorou.

Ela viu o engenho nascer e ser destruído pela ganância humana, viu as crianças correndo e sendo assassinadas pelo sistema capitalista-buracrático-moderno-pós-moderno; o sistema que a humanidade tanto gosta. Ela viu e assistiu à 1ª guerra mundial, e viu chegar a 2ª guerra, viu nascer o sonho comum, o sonho de um comunismo, cheio de idealismo. E, leu o manifesto comunista ainda em alemão; teve vontade de ser socialista, e foi.

Ela sempre soube construir o seu mundo, um mundo de paz, fora das guerras; mas quase foi assassinada por uma bala que saiu de uma indústria, e foi. Mas, mulher forte que era, nunca cruzou os braços, nunca vendeu seus sonhos. Dona Núbia viveu 9 décadas e a metade de outra, deixou uma história, deixou uma família... E deixou também uma herança, chamada amor.

Dona Núbia continua nos olhares de quem acredita que o mundo pode ser melhor, e será. Basta não vendermos a alma, pois em algum lugar existe alguém que ama.

adenildo lima

terça-feira, 6 de outubro de 2009

escultura

ela me pediu uma poesia
nua, ficou diante do espelho
falei: belo poema!

adenildo lima

corrida humana

na escada
a vida passa
pelo tempo

adenildo lima

contemplando a natureza

o dia tá lindo
lindo demais
este sol

adenildo lima

momentos de lazer

caiu uma folha
surgiu o sol
veio felicidade

adenildo lima

querendo demais

ela me pediu um beijo
dei um abraço
ela falou em casamento
quebrei os laços

adenildo lima

Brincadeira de criança

Caiu uma lágrima
abracei um sorriso
a lua brincou comigo

adenildo lima

recordações

ela foi embora
deixando flores
pra aliviar as dores

adenildo lima

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Algo diferente

Amigo leitor, não se assuste comigo, mas hoje, pela manhã, vou rasgar todos os meus livros de poemas, decidi que não quero mais. Vou sair por aí sem destino e sem rumo distribuindo cada página dos meus livros a cada pessoa que eu encontrar. É, descobri que um livro de poemas tem muitos livros dentro dele, por isso vou rasgar todos os meus livros e sair por aí.

adenildo lima

sábado, 3 de outubro de 2009

Agradecimentos

Hoje, ao abrir esta página, lembrei de algo que eu fazia todos os finais de cada mês, eu agradecia sempre aos leitores. Peço desculpas por não ter postado mais esses agradecimentos, pois, quero que saibam que este espaço é para mim um grito de liberdade e, vocês são as pessoas que me ajudam a desabafar, a brincar, a falar de amor, de ódio... Na verdade não esqueci, apenas não postei (rs).

Essa semana mesmo, uma amiga me ligou e me deu os parabéns, falou que acompanha sempre este espaço. Confesso que fiquei muito feliz. É muito bom saber que as pessoas leem aquilo que escrevemos.

Agradeço a todos, de todo meu coração com carinho e amor (rs) que tenhamos um excelente mês de outubro.

adenildo lima

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

o tempo

e o tempo que nao deixou
um tempinho só
pra eu falar com ela
o tempo
o tempo que se foi
sem que eu percebesse
o tempo
que tirou você de mim
o tempo que não deixou
eu ficar mais tempo
ao seu lado
o tempo
maldito tempo
que eu não soube controlar
e fui controlado por ele
justamente o tempo
que eu procurei
para dizer que te amava
para dizer que você
era muito importante para mim
o tempo se foi
não deixando tempo
tempo o suficiente
para vivermos cada momento
cada segundo
é, cada segundo
e eu que não sabia
que um segundo
é muito tempo
tempo suficiente
para dizer a alguém
um eu te amo
um você é especial
o tempo
hoje sei que a culpa
não é do tempo
hoje sei que
foi eu que perdi
para o tempo
enquanto o tempo
precisava ser guiado
pelos meus passos
o tempo
hoje tenho tanto tempo
que sobra tempo
para expressar o meu sentimento
para expressar o meu carinho
o meu amor
hoje não reclamo mais do tempo
o tempo
o tempo
o tempo
tempo tempo
tempo
são as batidas do meu coração
dizendo que te ama
através deste olhar

adenildo lima

O voo do pássaro que deixou a menina

O sol vem surgindo por detrás das montanhas artificiais, uma menina abre a janela do seu apartamento e abre os braços recebendo o calor e o carinho do menino sol. As avenidas estão todas paradas e, aqui de cima parece que lá em baixo é uma paz só; engano dos olhares meus que sonham com esse momento. A menina continua com os braços abertos, e um sorriso sai com ar de liberdade do seu semblante. Vem um vento e balança seus cabelos ondulados; o sol a aquece mais e mais - ainda são 7h da manhã -. Ela entra e resolve tomar um banho para lavar a alma e encarar o dia lá embaixo. Tira a roupa, se despe - fica nua - abre o chuveiro e uma água morna lhe aquece, e aquele corpo molhado é pura obra de arte: seios, pernas, sexo... olhar. A menina veste seu uniforme, calça seus saltos altos, põe maquiagem, pega a pasta e sai. A menina da janela já não existe mais. O trânsito a deixa nervosa, fora de si, alguns rapazes dão olhares perdidos pra ela, e ela faz de conta que não está vendo nada, mas em segredo, fica feliz por saber que está sendo observada. Chega no escritório, uma máquina toma conta daquela menina uniformizada. Ela, olha-se no espelho e não consegue enxergar aquele olhar que pela manhã abraçava o sol. É séria, é senhora... O dia passa, a lua surge perdida, misturada com as luzes da cidade. A menina chega em casa, tira aquele uniforme, deita em sua cama, e chora, e chora, e chora. A menina lua é tão carinhosa.

"Quem sou eu?" - Ela se olha no espelho, abre a janela do quarto, abre um sorriso para a lua, e voa.

adenildo lima