sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

feliz 2011

a todos e a todas que visitam este espaço meu muito obrigado e meus sinceros votos de desejos para que tenhamos um excelente 2011.


adenildo lima

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A ponte e a linha

Hoje em meus improvisos com a vida fiquei me perguntando o que é a vida. Acho que todo mundo faz esta pergunta, aliás, é algo tão comum a todo mundo, já que todo mundo vive. Vive? Viver é que é difícil, até tentamos a sobrevivência, mas viver mesmo é complicado, até pelo simples fato de muitos acharem que devemos viver conforme eles imaginam o que é a vida, pois, para mim, e acredito que para muitos, todos devem viver a sua vida, já que a vida é o que vivemos.

Este improviso sai meio que repetitivo, e eu concordo com os amigos leitores, se por acaso houver amigos leitores, talvez exista um amigo leitor, mas quem passar por aqui já meu amigo, mesmo que não seja amigo das noites de bares na grande São Paulo, ou até mesmo aqui, na minha casa, onde ficamos horas e horas bebericando e conversando da vida. Da vida.

É, até tentei fugir da palavra vida e não escrevê-la mais neste texto, só que ela apareceu sem que eu percebesse, e até quis me dizer que ela é o tema principal deste bate papo que estou tento através deste texto. O diálogo.

Em pleno século 21 vejo o diálogo como base principal para uma sobrevivência melhor. ME desculpe, caro amigo, pois estou sempre repetindo a palavra sobrevivÊncia. De repente você não gosta desta palavra e acredita que realmente vive e não sobrevive. Vive? Se você acredita já é um grande começo para sobreviver. Sobreviver?

Putz, como sou chato. Ah, meu sobrinho de 3 anos me chama de tato, mas na verdade ele quer dizer chato. Ele fala e depois sai rindo, e entra na brincadeira comigo. Será que ele já sabe o que é viver, ou o que é ser chato? Vai saber, né...?

É, amigo leitor, vou parar por aqui, já que a vida continua...

adenildo lima.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

São Paulo, 28 de dezembro de 2010.

Prezado papai Noel,

hoje tomei a decisão de te escrever, sei que andas muito cansado, pois o natal, como todos nós sabemos, já findou para este ano, mas sou insistente e venho aqui te pedir o meu presente. Esperei... esperei bastante e o senhor não apareceu. O que aconteceu, será que estavas muito ocupado?

Ah, papai Noel, desculpa, esqueci de me apresentar, sou Ana Cláudia, moro na periferia da grande São Paulo, estudo em escola pública - o senhor deve saber como anda a nossa educação -, então, como falei anteriormente, sou Ana Cláudia, tenho 15 anos. Sim, tenho quinze anos... ah, papai Noel, sou criança, sim, e não diga que não sou, ficarei triste se falar isso.

Mas vou ao tema principal: presente. O senhor percebeu que as pessoas hoje não são mais tão presentes? É, papai Noel, elas estão ficando cada vez mais frias e maquinizadas, ausentes. Mas eu acredito muito no senhor, papai Noel. O senhor acredita que eu tenho uma amiga que diz que eu não acredito? É, ela diz, pois falei uma vez que natal para mim, às vezes é triste. E na verdade é, sabe o motivo? Eu mesma estudo numa escola pública inteiramente sucateada, frequento hospitais onde os médicos nem olham nos meus olhos, sonho em ter um emprego bom, mas para o pobre - como o senhor deve saber - os caminhos se fecham mais e mais. Será que o senhor não pode me ajudar?

Ah, não fique triste, isso não é um presente que o senhor vai ter que precisar de colocar a mão no bolso. Me ajuda aí... 2011 precisa ser realmente novo...

Carinhosamente,
Ana Cláudia.

Por adenildo lima

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O monstro

O mundo corre depressa e um monstro assustador doma toda a sociedade. Mas ele não é um monstro como possamos imaginar, todo mundo é simpatizante dele. Por ele muitos matam, morrem, enlouquecem e até ficam sem dormir fazendo planos para tê-lo mais e mais.

Este monstro doma o século 21. Ah, este monstro tem tantas faces nas faces humanas.

adenildo lima

sábado, 25 de dezembro de 2010

Alaúde












Toque uma canção para mim, afinal é natal, e você nunca fez isso, meu bem. Dedilhe nas cordas fazendo com que eu durma ao teu lado, depois beija a minha boca e transforma esse simples momento numa coisa louca, eterna.

Toque apenas uma canção, afinal é natal, e você sabe que natal é tempo de amar, é tempo de se entregar. Ah. se entrega, vai, e entrega toda melodia vinda de tu'alma, você pode até não saber mas uma canção (de amor) meu amor me acalma.

Ah, toca uma canção, o instrumento você já tem...

adenildo lima

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A janela

O amor saiu pela janela. Por que deixaram a janela aberta? Não sei! Juro que não sei. Ele saiu deixando saudades, assim, como pássaros que ganham voo. Sinto muito a falta dele, e até hoje não consegui entender o motivo. Uma solidão forte vem a mim, principalmente nas noites caladas e frias, até as paredes perdem o rosto, e eu fico procurando algo para me divertir. Já se passaram três anos, mas a falta continua a mesma, talvez a dor esteja doendo menos, mas o ruim mesmo é o vazio, aquele vazio, sabe?

Talvez você não saiba, e até fico feliz que não saibas, não desejo isso para ninguém, mesmo sabendo que todos por isso passarão. A minha dúvida mesmo é sobre a janela. Será que a deixamos aberta? Eu poderia ter observado mais, mas na verdade eu senti um peso muito forte em cima de mim e não tive forças para reagir. Até hoje me culpo por isso, e até me considero fraco, pensando que eu poderia ter mudado, talvez observado mais aquela janela - logo eu que tanto gosto da solidão, neste momento ela me fere um pouco -, acho que foi a leitura que acabei de fazer de um poema de Drummond "Como um presente".

A tua ausência física, posso dizer, é muito ausente, mas as lembranças, os teus ensinamentos a cada dia que se passa são mais vivos em mim. E quando vêm as dificuldades...?... É verdade, eu sinto sua falta, teu abraço, teu beijo... e até lembro do natal em que comemoramos juntos, e não sei donde tiraste aquela frase "Vamos comemorar, talvez no próximo ano eu não esteja mais aqui". E realmente foi assim que aconteceu. Chorei bastante quando abri a porta e vi as pessoas comemorando. Tudo isso ainda dói, mas não dói tanto assim, o que dói mesmo, talvez seja a janela.

A janela é sempre misteriosa, aliás, o que é nossa vida? Possivelmente uma grande janela. Lembro as idas e voltas para o hospital, lembro dos meus irmãos se dedicando tanto para evitar. Lembro cada momento. Lembro até da carta que escrevi, nela expressei, talvez uma grande dor. Mas era como se eu já soubesse o fim. Sim, digo o fim, mas talvez seja o começo. Partir não é o fim, depende muito do conceito de cada um, pois para mim tudo é começo, só não me pergunte de quê.

Sinceramente é difícil. O amor é algo complicado, quanto mais o temos mais o queremos. É, pássaros precisam ganhar asas, e voar. E eu faço o que sempre faço: escrevo para dividir não sei com quem...

assim é a vida

adenildo lima

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Improvisos 10

não, não me diga isso (...) amar continua sendo a verdadeira arma para fazer nascer flores no asfalto.

adenildo lima

Improvisos 9

eu posso até esquecer que te amo, só não vou esquecer nunca que te amo!!!

adenildo lima

Improvisos 8

a idade não tem os dias vividos num papel, a idade é aquilo que você vive.

adenildo lima

Improvisos 7

beijar é o ato mais explícito da entrega que leva a tantas entregas...

adenildo lima

Improvisos 6

marcela, gabriela, valéria, maria, mallú, katrina... em cada esquina gira e roda uma aquarela, graziela.

adenildo lima

Improvisos 5

está ausente para mim; é tão ruim quando você está perto. Ah, essa ausência dói.

adenildo lima

Improvisos 4

a minha maior declaração de amor é que realmente eu te amo!!!

adenildo lima

Improvisos 3

natal é nada mais ou nada menos do que um abraço sincero. Ah, isso sim, é natal!

adenildo lima

Improvisos 2

sonhar é um lapso num relapso que desejado se torna almejado.

adenildo lima

Improvisos 1

amar pode ser difícil, mas difícil mesmo para mim é não amar.

adenildo lima

esquina

retina
esquina
coral
coralina
menina
pequenina
karina
oh,
desengano
sem engano
e eu chamo
e proclamo
tudo o que amo
coral
coralina
menina
pequenina
esquina...

Uma criança

Vinicius acordou determinado a ganhar o mundo, jogou uma mochila nas costas, uns chinelos nos pés e saiu perambulando. Ele queria ganhar o mundo.

No caminho encontrou uma flor, uma pedra e vários espinhos. Ah, encontrou também uma criança chorando, pois esperava um presente, e o presente não vinha. Vinicius sentou ao lado dela e perguntou se ela sentia fome. Apenas respondeu que sim.

Vinicius abriu sua mochila e lhe ofereceu comida. Ela disse que não precisava daquela comida, pois sentia fome de carinho, de amor. Sim, era isso que ela sentia, e era isso que ela queria. Vinicius ficou confuso. Lembrou que tinha encontrado no caminho uma pedra, uma flor e vários espinhos, mas não sabia qual deles era a criança.

Ah, Vinicius só queria ganhar o mundo...

adenildo lima.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Ah!...

Este texto é para você que se encontra aí parado sem muitos motivos para o final de semana. Ah, este texto é para mim e para você que sempre encontramos motivos para motivos felizes. E a felicidade, o que é?

Este texto inicia sendo dedicado para alguém que não tem muitos motivos para o final de semana e, ao mesmo tempo contradiz, voltando-se para o próprio autor que junto com o leitor encontra motivos para motivos felizes.

Assim, Às vezes, eu imagino a felicidade: um círculo, um vai, um vem, um sim, um não, um sorriso, um choro, uma lágrima. Ah, uma lágrima! E uma lágrima é tudo o que eu quero.

Mas não quero as lágrimas dos atores encenando nos palcos, quero as lágrimas das multidões em harmonia para um mundo melhor. Ah, um mundo melhor...

Então possamos e podemos imaginar que esse mundo não é ruim...

E a felicidade, é o que mesmo?

adenildo lima

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Vitor

Era noite, e uma chuva caía fortemente no telhado da casa de Vitor. A cidade estava repleta de água, o córrego da vila onde ele morava estava esborrando cada vez com mais intensidade. Sentiu vontade de chorar. Olhou para a mãe e perguntou:

- Mãe, viver é isso mesmo?
- Isso mesmo o quê?
- Sei lá, mãe...

Vitor tinha apenas 8 anos de idade. Trabalhava catando papel para reciclagem. Fazia algo tão útil e tão desprezado pela sociedade. Na escola, chegava sempre cansado. Só uma professora tinha olhos para ele, e procurava sempre conversar. Vitor já se sentia um adulto. E começou a fazer poesia num diário velho encontrado no lixo.

O diário estava com a capa rasgada e com algumas folhas destruidas. Aquele diário passou a ser seu grande amigo. A mãe dele, do Vitor, trabalhava em casa de família, era doméstica, e o dinheiro não dava nem mesmo para comprar o alimento necessário.

Vitor não tinha pai. Faleceu num hospital público, por descaso público, mas isso não foi a público. E Vitor começou a sonhar e a querer ser grande. Sonhou em ser um grande poeta.

E um dia descobriu que em vida já era a própria poesia andante. Chorou. Sorriu. E amou...

adenildo lima

domingo, 12 de dezembro de 2010

abrigo

ah, teus lábios
doces lábios de mel
céu
mar
estrela cadente
não
não podemos ficar ausentes
quando sinto teu cheiro
adentrando minhas narinas
oh, menina
que te gosto
com um gosto
gostoso
nesse gozo
prazeroso que chamo de amar
de viver
de sentir
de poder estar contigo
pois nesse refúgio
ah, vamos fazer com que
sejamos um do outro
abrigo...

adenildo lima

Como nossos pais, na voz de Elis

Uma das vozes mais bela da nossa música!!!




"Viver é melhor que sonhar"

adenildo lima

sábado, 11 de dezembro de 2010

em algum lugar do passado

em algum lugar do passado deixei uma lágrima perdida, apenas para ser encontrada por alguém. e foi uma pena, a lágrima misturou-se com uma pena.

e começou a voar sobre as montanhas, sobres os mares, sobre as florestas... e sempre observando os olhares distantes das pessos distantes. sim, uma lágrima que ao se misturar com uma pena, descubro hoje que não foi uma pena tão grande assim. ela ganhou voo e liberdade pra sonhar até mesmo nos olhares perdidos. e eu, observando bem a cena, posso dizer que a minha lágrima perdida em algum lugar do passado é motivo para os meus risos hoje.

adenildo lima

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

10 de dezembro

é, hoje é meu aniversário, ouvindo um cd, com músicas selecionadas que ganhei de presente, começo a ecrever algo, que nem mesmo eu sei o quê. aniversariar não é ficar mais velho ou mais experiente, é apenas um momento fotográfico de um passado presente futuro, aliás, assim é a vida. muitas coisas vêm a nossa cabeça, no caso, a minha, lembro de pessoas importantes que partiram, lembro de abraços e beijos felizes, e lembro das pessoas que estão comigo. aliás, assim é a vida.

adenildo lima

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O bêbado e a equilibrista, na voz de Elis



adenildo lima

Lembranças e memórias

Existem coisas na vida que esquecemos, mas existem momentos que jamais saem da nossa memória. O cheiro, a imagem refletida em cada esquina; da vida. Assim, Júlia, foi aquele nosso momento, nunca esqueci.

O cheiro da tua pele pelas minhas narinas foi muito significante e marca até ao dia de hoje, talvez você nem lembre mais, mas eu nunca consegui esquecer. Lembro o teu corpo nu com os traços de uma moldura bem arquitetada me abraçando. Aquela pele cor de canela, aqueles olhos castanhos, e aqueles cabelos ruivos, meios que encaracolados. Tudo! Mas tudo mesmo me faz lembrar aquele momento, e você. E tudo isso eu chamo de amor.

Sei que foi algo passageiro, aquele nosso encontro. Sei também que talvez não tenha tido nenhum significado pra você, mas para mim, sim, e como teve!!!

adenildo lima

sábado, 4 de dezembro de 2010

A essência das flores

Talvez você não tenha percebido, e visto, aquela criança querendo voz, ali, dentro do seu peito, mas eu percebi através do seu olhar uma lágrima caindo. E aquela lágrima não era lágrima de ódio, era de amor. Um amor natural e infantil. Infantil assim como todos os amores; todos os amores são infantis. E dentro do coração ferido, ali, diante de mim, consegui ver que não estavas com ódio.

Meu amor, faz tanto tempo que nos vemos. Ainda escuto tua voz suave, às vezes agressiva, mas sempre amável. Ontem mesmo te procurei nas esquinas; da vida. Fiquei observando todos os pequenos detalhes, e encontrei vários olhares perdidos, e todos pareciam comigo e com você. E aquela criança que queria ganhar voz me pediu um abraço, um acalento que eu pudesse soltá-lo no vento sem fingimentos. E assim eu fiz.

A prova não estava difícil, difícil mesmo estava a prova de amar. Amar é tão complicado, mas só as pessoas não percebem que é tão simples, e acabam complicando tudo, aí, passa a ser, como disse anteriormente, complicado. Talvez você não consiga entender isso que estou tentanto passar, mas não precisa entender muita coisa, apenas não tenha medo de amar, pois amar mesmo entre espinhos é possível colher a essência das flores.

adenildo lima

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

E cai a madrugada...

A noite surgiu com o seu abraço de mulher carinhosa, deixou o sol se esconder aos poucos por detrás das montanhas. Ouvi mãe dizer "Ele agora vai pro Japão, quando lá é dia aqui é noite". Sorri, da maneira como ela retratou através de gestos, e ao mesmo tempo dando uma impressão de que temos dois mundos. E temos!

Talvez eu esteja enganado por pensar assim, mas sempre acreditei que o mundo não é um só, até chego a dizer que todo mundo tem o seu próprio mundo. É, mas voltando ao tema principal; sinto que preciso voltar. Eu estava falando do sol se escondendo por detrás das montanhas, e como foi lindo o encontro dele com a lua: o sol e a lua. A lua uma mulher com seu jeito sensível e doce, deu um olá para o amigo sol e o desejou bom descanso. Ele riu, pois como minha mãe falou ele ia para o Japão.

Uma neblina suave veio vindo acompanhando a lua, as plantas ficaram todas molhadas, e felizes. E a noite foi vivendo cada momento: crianças brincando de se esconder, senhores contando estórias e histórias no terreiro acompanhados com a luz suave da lua. E ela, a lua, estava toda feliz, pois ao seu lado estavam lhe fazendo companhia milhões de estrelas.

O relógio zerou os ponteiros: meia noite. A madrugada estava chegando. E chegou como um véu cobrindo os lírios do campo e fazendo dormir a minha amada. Ah, a minha amada, ainda hoje a amo. E todas às vezes que cai a madrugada lembro daquele beijo inocente e tão verdadeiro que demos na infância.

adenildo lima.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Artigo em revista

Leiam abaixo no link o artigo que fiz para a revista COMPANYSUL sobre o livro Mazzaropi, o caipira mais caipira do Brasil, do autor Galileu Garcia.

http://www.companysul.com.br/edicoes/edicao-29/cultural.html


adenildo lima

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Uma carta ausente

São Paulo, 30 de novembro de 2010.

Prezada Natália,

hoje olhei o calendário e tive um susto, o ano está passando muito rápido. Lembrei da nossa ausência. Sei que você fica triste quando não escrevo, ou quando demoro para escrever, mas gostaria que você soubesse que não te esqueço, apenas procuro evitar alguma coisa. Estás prestes a casar, e eu descobri que a nossa amizade estava caminhando para um lugar mais íntimo; tínhamos tudo para sermos namorado. Talvez você nunca tenha realmente percebido isso, mas eu sempre percebi, e algumas coisas me assustaram. Quero que saiba que uma das melhores coisas que poderia acontecer em minha vida era poder te namorar, beijar seus lábios, ouvir sua voz nos meus ouvidos, e os nossos corpos se entregando, mas, como sabemos, nem tudo é como queremos.

Sim, nem tudo é como queremos, mas eu tentei várias vezes te falar, através de metáforas, que dependia de você. Você nunca deu um passo além. Na verdade, eu acredito que o teu orgulho te ajudou a não ir em frente. É, você é orgulhosa sim, Natália, com os teus saltos altos e os cabelos soltos por cima dos ombros, e a tua imagem resumida numa sigla diplomática, te ajudaram a não se envolver comigo, que sou um simples rapaz. Você, ao fazer a leitura desta carta, dirá que não, e acrescentará dizendo: se fosse isso eu não seria tua amiga!

Sim, somos amigos, mas somos amigos ausentes, você é que nunca percebeu isso, ou nunca procurou perceber. Nunca fomos a casa do outro: nem eu a sua e nem você a minha. Que amigos somos nós? Ficamos como meros adolescentes pós-modernos tentando manter a amizade por e-mails, nem telefonemas temos, nunca mais você me ligou e nem eu liguei para você. Eu reconheço que estou agindo de uma maneira que não te agrada, talvez ainda seja o sentimento de paixão escondido aqui dentro de mim, mas a vida continua, meu amor, o importante é que acredito que somos amigos.

Beijos no coração,

adenildo lima.

sábado, 27 de novembro de 2010

perguntas difíceis

"mãe, o que é fazer sexo?"
"o quÊ???!!!"
"fazer sexo, mãe, o que é?"
"filho, mas onde tu tirou isso, que pergunta?!"
"ah, mãe, pensei que fosse tão fácil responder, não pensava que fosse tão difícil assim..."
"assim o quê, menino?!"
"responder o que é fazer sexo."
"você ainda não percebeu que é muito criança pra saber essas coisas?"
"então isso é coisa ruim, mãe?"
"não, mas não é coisa pra criança."
"então só os adultos podem saber as coisas... eu queria aprender logo agora."
"mas como você é insistente, menino, que coisa!!!"
"ah, mãe, me disseram que as mães sabem tudo..."
"tudo o quê?"
"tudo, mãe, oh... se eu não aprender com a senhora vou aprender com quem?"
"mas você vem logo fazer uma pergunta dessa?"
"e a senhora queria que eu perguntasse o quê?"
"ah, filho, vamos mudar de assunto, né?"
"mudar de assunto.... a senhora nem respondeu."

adenildo lima

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

as grandes histórias de amor

... amar é a verdadeira inocência que ainda resta nos adultos e, talvez, seja essa a criança que em nós sempre sonha e acredita um dia ser grande, pois ser adulto é tão confuso, por isso prefiro os braços e abraços das mulheres que nunca perderam a inocência da alma de uma criança. e tenho medo dos adultos que têm vergonha de chorar.

pois mesmo entre espinhos é possível sentir a essência de uma flor.

adenildo lima

história em branco

há uma história para ser escrita. você tem o papel e a caneta. é, talvez você não saiba, mas a vida é uma grande folha em branco. todos lerão e verão o que você escrever.

adenildo lima

domingo, 21 de novembro de 2010

boneca de porcelana

um sorriso
parece ser tudo o que uma criança espera
uma lembrança da realidade
tudo
mas tudo é tão inventado

sentada numa cadeira
um nariz "perfeito"
feito nos enfeitos
da pós-modernidade

o cabelo odeia a natureza
que beleza
a menina correndo como uma louca
à busca de uma flor

que amor
esperam colher...

adenildo lima

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

os mistérios do beco

há um beco dentro do beco no próprio beco. há uma criança no beco dentro de um beco no próprio beco. há imagens perdidas, e soltas, e querendo voar, e querendo ganhar asas. há um sonho dentro de um sonho no próprio sonho. um dia eu acordei, lembrei da minha amada, aquela menina que eu tanto amei; acho que ainda amo. aqueles cabelos longos, aquele corpo sensual, aquele olhar; aquela menina, sim, aquela menina. sonhei por várias noites em beijar os lábios dela, e sentir dela o calor do corpo dela junto ao meu..., mas parece que um medo entre nós nunca permitiu. hoje lembro aquelas imagens construídas por mim. lembro também do sorriso da criança do beco. sabe aquela criança... no beco? ela até que tentou uma saída, mas o beco estava dentro do beco no próprico beco, e a avenida estava movimentada demais. e o muro do beco era muito alto, e sem saída. ainda lembro. mas foi complicado aquela menina, aquela paixão não correspondia. uma paixão não correspondida é sempre ruim, e dói bastante. eu queria apenas um beijo, mas acho que ela nunca acreditou que eu realmente gostava dela; aliás, gostava até mais do que gostar. é, era um amor. um amor é sempre difícil de ser interpretado.

agora acabo de lembrar também de um poema solto no beco. ah, aquele beco marca tanto a minha vida, e talvez ele nem exista mais. será? sempre achei aquele beco misterioso. tenho recordações de uma gravata que enforcou um homem que nunca tinha usado uma gravata; e que nunca a usou. nossa! sinceramente nunca consegui interpretar os enigmas daquele beco, mas acredito que os sonhos continuam lá, e alguns até, eu acho, tenham conseguido voo. só que aquela garota que tanto amei... será que ela já casou? nunca mais tive notícias dela. até recebi uma carta, mas não tive coragem de fazer a leitura. acho que até li. mas nada entendi. ela morava, acho que ainda mora, tão perto da minha casa, e sumir assim?! ah, se ela está com outro, tudo bem... também nunca esteve comigo mesmo. será que ela está com esteves? oh, esteves, seja feliz com ela, tudo bem? e boa sorte.

é, já o beco possivelmente não concorde com este texto, ele sempre esteve descrito com letras enormes e outras bem pequenas.

mas amar, para mim, continua sendo a verdadeira inocência no silêncio de alguém caminhando por aí...

adenildo lima

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Progressão regressiva

"Carlos Alberto, o que aconteceu que no seu caderno não tem nada escrito?"
"Como assim, nada escrito, mãe? Eu nem sabia que escrito nada."
"Você acha que estou brincando é... Filho meu tem que estudar!!!"
"Mas mãe..."
"Nem mais nem menos."
"Mas eu não disse mais, eu disse mas. É diferente, tá. E saber essa diferença é uma prova que estou estudando, só não gosto de escrever."
"Mas precisa escrever, Carlos, no meu tempo quem não escrevia ficava de castigo."
"Tudo muda, mãe, até os tempos como, por exemplo, existe tempo pra amar, tempo pra sonhar, tempo pra se apaixonar... existe tempo pra tanta coisa."
"E existe tempo para escrever."
"Escrever?!"
"Exatamente, Carlos."
"Escrever..."

(...)

"Filho, mas como você foi aprovado, nem estudava?!!!"
"É, mãe, o governo não quer que a gente reprove, ele disse que precisa mostrar para o mundo que a educação em São Paulo está progredindo cada vez mais..."
"É, filho, só que em sentido regressivo".

adenildo lima

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

brincadeira de criança

o balanço
num avanço
levou a criança
num voo
de esperança

o balanço

balançando
para cá
e para lá
pra lá
e pra cá
assim como uma bailarina
na rima dos passos e laços
e enlaços
e abraços
no ritmo do som
num batuque
tão bom

eita trem bão

a criança
a esperança que avança
nos olhares dos adultos
que mesmo caducos
não se entregam ao cansaço
e se lançam ao abraço

da mãe

que mesmo quando falta pães
transforma sorrisos em
alimentos

ah,

meus proventos
e ventos
nessa ventania
de cada dia

pois

mãe é sempre mãe
já as flores do campo
são apenas flores

adenildo lima

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Nauseando 11

Por onde começar escrevendo este texto, não sei, e qual tema vou abordar para poder falar da náusea nauseando em mim - não apenas em mim -, também não sei. Só sei que viver não é fácil, e isso é bom. O que é não é bom é a complicação que as pessoas fazem, principalmente de coisas pequenas, de pequenas coisas.

Um copo com água derrubado na mesa não é motivo para quebrar a mesa. Pegando essa frase como base deste texto, decorrerei e discorrerei nas próximas palavras que nem mesmo eu sei o que virá ou que virão, mas como sempre digo nestes nauseando, isso é uma náusea.

Sabe quando de repente, mas muito de repente mesmo a gente gostaria de fazer uma coisa, uma coisa maravilhosa. E, digo uma coisa maravilhosa, não é pensando no individualismo próprio, é pensando numa coletividade. E de repente, muito de repente aparece alguém que não se alegra com a felicidade dos outros e faz de tudo para destruir..., sabe?

Eu já procurei entender muitas vezes, e na maioria das vezes diante de coisas extraordinárias, coisas que é terminada por uma má vontade de uma terceira pessoa.

Pular de um edifício não é difícil, difícil mesmo é a dor que fica para os familiares, pois para quem morreu... agora para quem fica, fica algo edificado no peito complicado de ser curado. É um vazio, é uma solidão solitária nos olhares perdidos pela casa, pelas ruas, pelas avenidas e becos e caminhos pisados pelos nossos pés calejados.

Mais uma criança nasce, o pai não está presente, a mãe não lembra da imagem do pai; do pai. A criança quer crescer, a criança quer uma imagem forte refletida diante do seu olhar; a criança descobre que é órfão. E eu digo que ser órfão não é difícil, agora não ter um pai, sim.

Não sei, talvez eu esteja enganado, mas a vida passa tão lentamente, mas está correndo depressa demais...

adenildo lima

terça-feira, 9 de novembro de 2010

refletindo a mente

sim, parecia maria, mas não era apenas maria. maria pode ser uma mulher qualquer, ou muitas mulheres. já ela, não. ela era maria cláudia da silva fonseca e costa mello. tinha uma história, pois ela sempre valorizou sua história. sim, quem a conheceu sabe que ao vê-la via uma grande mulher.

adenildo lima

domingo, 7 de novembro de 2010

folha mágica

uma folha mostrou
o beija-flor
beijando a flor
num re lis
lendo as páginas
com mensagens
flor de lis
ganhando voo
num sobrevoo
ao sobrevoar
as ondas do mar
as montanhas
as nuvens
feitas e parecidas
algodão
me levaram ao chão
aí meu coração
ai minhas invenções
pairando feitas
borboletas
letras
rascunhos
e punhos
de um sonho
beijando a flor
a flor
flor de lis

adenildo lima

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O olhar...

Olhem-me, mas me olhem dentro dos olhos. O olhar, para mim, ainda é a voz mais clara do coração.

adenildo lima

terça-feira, 2 de novembro de 2010

21, vinte e um ou xxi

O mundo corre muito depressa, e as pessoas estão correndo demais. Um olhar apenas, muitas vezes, esquecemos em uma esquina qualquer. O sorriso da mulher amada, o beijo do inimigo, o abraço da criança; um cachorro para suprir sua solidão. E no final da caminhada você me pergunta o que é o amor(?). Se eu soubesse, qual sentido ele teria para mim?

Vivemos de ilusão, e a ilusão é a única realidade existente, mas eu também não sei o que ela é. Se eu soubesse já teria deixado de viver. E você me vem como bailarina menina pequenina na ponta dos dedos, e procuras esconder o teu olhar por debaixo de um outro olhar. A poesia perdeu o sentido nos versos daquele poema que te escrevi, lembra?

As lembranças são duras, e frias, muitas vezes. Já as imagens são momentos gravados em algum lugar do passado, buscando ser presente. O presente também não existe, e nem mesmo aquela flor que te dei um dia. Existe apenas tudo o que acreditas, ou deixas de acreditar. O passado, o futuro, o presente são palavras, e palavras são válidas quando damos algum sentido a elas.

E eu já nem sei o que escrevi.

adenildo lima

Taís

Taís, você se transformou em palco e arte diante de mim. Se fez bailarina, me olhou com olhar de menina. Se fez mulher, se fez dócil, e tão amável. Depois, se foi. Ouvi o barulho do trem partir. E você partiu partindo meu coração. O palco. A arte. A vida. Tudo isso me fazem lembrar você.

adenildo lima

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

é novembro

a todos e a todas que acompanham este blog, agradeço o carinho de suas visitas. estamos em pleno final de ano, se posso dizer assim, é novembro. esse mês de outubro dediquei exclusivamente à política, a partir de hoje volto com meus textos diversos, e também, se eu sentir vontade, postarei sobre política.

vamos à luta!!!!

adenildo lima

Bibliografia - prova professor OFA ...

Queridos colegas professores, abaixo deixo o link da bibliografia para a prova que teremos dezembro. Fazer o que, né? rs

Baixem, e boa sorte!!!

http://apeoespsub.org.br/bibliografia_act/bibliografias_prova_ACT.pdf


adenildo lima

sábado, 30 de outubro de 2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

uma carta. de amor?

São Paulo, 29 de outubro de 2010.

Minha querida Fabi,

esta carta pode parecer mais uma carta de amor, mas na verdade não é. Na verdade estou em plena madrugada, olho para o relógio e ele marca 2h23, vem uma solidão gostosa em mim, e através dessa lembrança lembrei de você. Lembrei dos nossos momentos distraídos, daqueles nossos passeios, daqueles diálogos. Recebi a sua mensagem dizendo que está bem, que está prestes a casar, e talvez eu seja o padrinho. Sendo sincero, Fabi, eu desconfio que você não gosta tanto do seu noivo ao ponto de casar. Falo isso porque somos amigos, e saiba, não tem nada a ver com o relacionamento que tivemos.

O que eu sinto na verdade é que você tem medo da idade, tem medo de ficar solteira, por isso vai casar. Desculpa, estou falando isso por sermos amigos, e como sempre tivemos transparência em tudo o que conversamos não vou ficar reprimindo as palavras agora.

Não sei se você vai lembrar aquela noite em que viajamos para aquela chácara. Foi tão gostoso, vivemos o amor de uma maneira tão maravilhosa, transávamos como se fosse a primeira ou a última transa de nossas vidas. É, vivemos bem o pouco tempo em que estivemos juntos. Ainda lembro e sinto o seu cheiro adentrando minhas narinas, vindo do suor do teu corpo nu sobre o meu, abraçado ao meu. Foram três dias maravilhosos. Eu era o único desconhecido naquela turma, as pessoas - uma jovem que estava lá, que você também não a conhecia - até me perguntou se éramos casados. Disse que não. Ela riu e disse que nós parecíamos o casal mais feliz do mundo. Disse que éramos felizes, só não éramos casados. Ela riu. Percebi que ela sentiu atração por mim.

É, Fabi, tantas coisas me vêm à cabeça, mas vou parar por aqui. Na verdade, acho que isso que escrevi é uma carta de amor. rs.

Carinhosamente,

adenildo lima


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

longe do meu lado


do CD, a tempestade, de legiao urbana, renato russo fala da paixão de uma maneira sutil e descritiva, e eu, prefiro sempre o amor. amar, para mim, é o melhor caminho.



adenildo lima

terça-feira, 26 de outubro de 2010

o silêncio e um grito e um esquecimento

cansada, deitou-se na primeira calçada que encontrou. era madrugada, e o relógio central da praça marcava 3h. sentia fome, sentia frio; sentia saudades. a rua estava deserta, restava apenas um cachorro passeando sem destino. fabi sentiu medo da solidão, há mais de duas semanas não conseguia dormir; sentia-se só, e estava. o cachorro aproximou-se dela, beijou seus pés sujos, dando-lhe um sorriso amigável. fabi, sem perceber, deixou cair duas lágrimas dos olhos. o cachorro balançou o rabo, sorriu mais uma vez e saiu.

fabi sentiu vontade de dormir e nunca mais acordar. sentiu vontade de gritar, mas não existia ninguém para ouvi-la. o dia amanheceu, uma multidão de gente começou a passar na maior correria. ela enxergava a todos; mas infelizmente ninguém a viu, e uma gravata, despreocupada, atropelou-a.

de fabi, ainda lembro o sorriso daquele amigo inexperado que beijou os seus pés com tanto carinho.

adenildo lima

sábado, 23 de outubro de 2010

dez improvisos

por favor, leiam abaixo dez improvisos de poemas feitos em um só IMPROVISO!!! RS


adenildo lima

alma nascente

valeria a pena
a sociedade rever seus conceitos
cheios de defeitos
e tão sem jeitos
nesses malefeitos calculistas
que na pista só sonha em ganhar

valeria a pena
amar um pouco mais
viver um pouco mais
brincar um pouco mais
e neste mais
não retroceder

valeria a pena
fazer com que as coisas pequenas
ganhassem voo
e nos sobrevoos
atravessassem as montanhas

ah

por favor
minha querida menina
diante das batalhas da vida
apanha e apanhe
as folhas soltas no vão
da alma nascente
que recente
tanto temos a aproveitar

neste ÃO

adenildo lima

uma criança que sonha

a educação
no chão
deslizando feito sabão

aos corruptos digam

NÃO

uma mãe que chora
um adolescente que ri
uma criança que sonha

os pássaros voam
e sobrevoam as montanhas

os professores estão todos esquecidos
e a sociedade sofre com isso

uma criança sente medo de nascer
talvez na imagem de um pai
ou de uma mãe

que sonha que sonha
em realizar seus sonhos

adenildo lima

a menina Gabriela

na rua
na calçada
jogada
e atropelada

pelo poder

uma criança chora
nos braços de uma
mãe
e a mãe não tem mais leite
no peito

pois o sangue desfigurado
com o corpo abandonado
e desprezado
deixou de fabricar o alimento
para a menina Gabriela

e ela

chora

e ri

e brinca

e canta

na dança

do existir

de sonhar

em viver

e

Gabriela
para mim
não é apenas ela

oh

Gabriela

adenildo lima

despedida aos treze

lembro quando você partiu
partindo o meu coração
você passeou na passarela
com sonhos de quimera
bela menina

mas estava fora da primavera

e a minha prima
Vera
riu para mim
e disse que muitos sonhos
verão
e que o verão estava próximo

as estações partiram
assim como você
e eu procurei viver cada estação
pois a vida
é aquilo o que vivemos

e a minha prima
Vera
um dia virá
talvez no verão
e muitos verão

adenildo lima

sonho de criança

o palco é uma invenção
sonhado por alguém
que busca subir as escadas

mas depois de chegado lá
as escadas não existem mais
o palco também não

existirá apenas um sorriso
em alguma imagem
fotografada

adenildo lima

abraço ninar

e quando não esperares
ela chegará
como um vento frio
e te abraçará
e não lembrarás
mais
de nada

ficarão só as lembranças
das boas
ou das más
obras realizadas
por ti

e tudo passará
a ser imagens para quem ficou

adenildo lima

infantilidade de amar

a estrada é longa
e a vida é curta
o caminho tem curvas
não deixe que seus passos
nos passos
e laços
da ida
se curve

caminhe
e veja
as flores
o sol
a lua
as estrelas

a vida

veja a infantilidade
de amar
e ser criança
é a única maneira de descobrir
este sentimento

adenildo lima

amor infantil

preciso dizer
que te amo
que te quero
que vivo e suspiro
por ti

preciso que o mundo saiba
deste amor infantil
que tenho por ti
e saiba que nunca saberás
o quanto te amo

amar é infinitamente ir
além da imaginação
das interpretações
dos ditos
e ditos
e reditos

preciso que você
saiba
que vivo cada segundo
por ti

e amar é tudo o eu quero

adenildo lima

fantasia de criança

abra os braços
há um mundo
lá fora
e fora
dentro de si
encontrarás
outros mundos

sorria...

viver é banal
afinal
sem ter magia
a vida perde
a fantasia
e sem fantasia não há
alegria

grite...

o mundo precisa
descobrir
a sua voz
e a voz é tudo o que temos

temos amor
temos carinho
temos o silêncio

e como grita
a voz do silêncio

há um mundo lá
fora
e fora
dentro de si
encontrarás
outros mundos

adenildo lima

aprendizagem de amar

a pressa regressa
e a vida passa
muito depressa
busque o truque
da magia
do palco da vida
e na ida
a plateia
aplaudirá

a vida passa
na pressa
e na falta de um olhar
descobriremos que tudo o que falta
é a apredendizagem
de amar

adenildo lima

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

A importância do professor mediador nas escolas. Este foi o tema proferido por mim nas palestras na Universidade Bandeirante do Brasil, UNIBAN, no Campus Morumbi II, conforme fotos abaixo. Foi de grande importância ter dividido com alunos dos cursos de licenciatura "A importância do professor mediador nas escolas". Projeto que está novinho na rede estadual de ensino que tem como base a Justiça Restaurativa - http://pt.wikipedia.org/wiki/Justi%C3%A7a_restaurativa - que tem como objetivo restaurar e, no caso do professor mediador, ouvir no lugar de punir. Etc.

adenildo lima

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Refletindo para começar.... Ah, o horário nas fotos está errado, esta palestra foi pela manhã.

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Aguardando o público

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Me preparando...

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

A coordenadora da Universidade me apresentando para o público...

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Campo Limpo, UNIBAN, 14.10.2010

Palestra campus Morumbi II - UNIBAN - dia 14.10.2010

A importância do professor mediador nas escolas. Este foi o tema proferido por mim nas palestras na Universidade Bandeirante do Brasil, UNIBAN, no Campus Morumbi II, conforme fotos abaixo. Foi de grande importância ter dividido com alunos dos cursos de licenciatura "A importância do professor mediador nas escolas". Projeto que está novinho na rede estadual de ensino que tem como base a Justiça Restaurativa - http://pt.wikipedia.org/wiki/Justi%C3%A7a_restaurativa - que tem como objetivo restaurar e, no caso do professor mediador, ouvir no lugar de punir. Etc.

adenildo lima

Palestras: UNIBAN campus Morumbi II

Palestras: UNIBAN campus Morumbi II

Alunos do curso de Letras, última palestra, à noite. O horário na foto está errado rs

Palestras: UNIBAN campus Morumbi II

Palestras: UNIBAN campus Morumbi II

Palestras: UNIBAN campus Morumbi II

Palestras: UNIBAN campus Morumbi II

Palestras: UNIBAN campus Morumbi II

Palestras: UNIBAN campus Morumbi II

Palestras: UNIBAN campus Morumbi II

Palestras: UNIBAN campus Morumbi II

Palestras: UNIBAN campus Morumbi II

Palestras: UNIBAN campus Morumbi II

Palestras: UNIBAN campus Morumbi II

Palestras: UNIBAN campus Morumbi II

Palestras: UNIBAN campus Morumbi II

Palestras: UNIBAN campus Morumbi II

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Professor

Ser Professor é ter além de carne e ossos, alma!

Educar é transformar uma nação...

adenildo lima

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Lembrete

No dia 14.10.2010 tenho quatro palestras para proferir na Universidade Bandeirante de São Paulo -UNIBAN, com o tema: A importância do professor mediador nas escolas. Em breve volto com algumas fotos e alguns textos falando do que é o professor mediador escolar e comunitário. As palestras serão realizadas nos CAMPUS: No período da manhã, na unidade Campo Limpo, e à noite, na unidade Morumbi II.

adenildo lima

sábado, 9 de outubro de 2010

abraço nacional

agora
é
Dil
minha
e
de
todos
nós

adenildo lima

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

o sol e a lua

surge o entardecer. o dia parece que vai sumindo calmamente. e a noite se aproxima. maria com muita alegria vem correndo com os braços abertos, e tão certos, em seu rumo e direção. o sol se esconde por detrás das montanhas. e abraça a lua. e a lua vem com um clima suave, beijando a noite. à noite tudo é diferente. uma voz grita dentro de maria, dizendo: ria, maria. e maria ri. e continua correndo com os braços abertos. seus cabelos voam. seus lábios beijam o tempo. e o tempo abraça maria.

o véu cai. aquele véu transparente que, aos poucos, deixava o corpo dela sendo visto por ele, como divino, e obra prima. e maria se aproximou de carlos. carlos sentiu o corpo tremer. como estátua, ela ficou diante dele. aqueles lábios, aquele olhar, aquele sorriso, aquele jeito de ser; aquele corpo. e aqueles dois corpos, ali, naquele lugar calmo, e natural, já não eram mais dois. maria e carlos, como tiveram alegria.

adenildo lima

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

cobertor de vento

gabriela estava sentada. a calçada estava fria. o sol tentava nascer através daqueles olhos, daquele olhar. sentia fome. sentia sede. sentia vontade de viver. mas estava morrendo. e através da janela dos seus olhos ela via as pessoas passando. umas correndo contra o tempo. outras correndo sem saberem pra onde. lembrou da mãe. lembrou do barraco lá na favela onde viveu durante sete anos. recordou que a mãe não existia mais fisicamente. dela, havia apenas lembranças. chorou. e a lágrima se perdeu pela face suja causada pela poluição do tempo. e ela chamava o tempo de TODO PODEROSO.

esperou o sol por mais de duas horas. ele não veio. veio uma chuva acompanhada por um vento frio. o dia passou e ela nem percebeu. a noite chegou e ela não sentiu diferença. agora já era madrugada. não lembrava mais da data de seu nascimento. tinha se perdido no tempo. não lembrava mais de quando tinha sentado numa cadeira pra comer alguma coisa. através da janela de seus olhos percebeu que não existia. percebeu que ninguém sabia da existência dela. chorou. e as lágrimas caíram sobre a cama improvisada. e o cobertor de vento. e o travesseiro de concreto. é, tudo isso tiraram-lhe o sentido do que era viver. e ela nunca conheceu o seu pai. agora gabriela deve está feliz, pois num jardim sempre haverá algum pássaro voando. e cantando.

adenildo lima.

fluxo

em algum lugar do planeta
há pessoas chorando
e outras sorrindo
outras se abraçando
e outras se beijando
outras se amando
e amar é tudo o que eu quero.

as palavras são flechas apontadas
são partículas vivas
às vezes pequenas
(mas partículas são sempre partículas)
os pássaros que voaram ganharam voo
e se foram
mas em algum lugar ficou a imagem daquele voo voando...
lentamente...
hoje, só guardo lembranças
e lembranças, para mim, são provas de amor.

adenildo lima

Galileu Garcia - Cinema Brasil

Laila Guilherme entrevista um dos maiores nome da história do cinema brasileiro, Galileu Garcia (senhor de grande índole, falo por experiência vivida, pois trabalhamos juntos no livro Mazzaropi, o caipira mais caipira do Brasil). A entrevista foi na Rádio Brasil MPB... Vejam abaixo um trecho da entrevista.



Nos anos 50, Galileu Garcia entrou para o cinema como crítico e jornalista, e em seguida participou de produções da Vera Cruz Cinematográfica, entre as quais “O Cangaceiro”. Conheceu Mazzaropi em seu primeiro filme, “Sai da Frente”, e com ele trabalhou em diversas produções, inclusive criando roteiros, como o de “As Aventuras de Pedro Malasartes”. Sobre o ator escreveu a biografia “Mazzaropi – O caipira mais caipira do Brasil”, lançada em 2009 pela editora Ilellis.

A partir dos anos 70 e durante duas décadas, Galileu Garcia exerceu uma bem-sucedida carreira em filmes de publicidade. Incansável aos 80 anos, dá cursos de roteiro e está finalizando o filme “LB Persona”, um semidocumentário que homenageia o cineasta paulistano Lima Barreto, produtor, roteirista e diretor de “O Cangaceiro”.

Fonte:
http://radiobrasilmpb.blogspot.com/search?updatedmax=2010-09-29T09%3A16%3A00-03%3A00

adenildo lima

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pássaros, folhas e sonhos

"Mãe, aquilo é uma folha que cai, ou é um pássaro que voa?"
"Não, filho, o que estás vendo são sonhos."
"Sonhos, mãe...?"
"Sim, filho, são sonhos. Sonhos são como pássaros e folhas soltas no ar, voam e vão para bem longe à procura de sorrisos e felicidades."
"Então pra ser feliz, mãe, não precisa de muita coisa, só precisa sonhar?"
"Sim, quem sonha está sempre feliz, assim como os pássaros que voam e como folhas que flutuam no ar.

adenildo lima.

sábado, 25 de setembro de 2010

A morte

São Paulo, 25 de setembro de 2010


Minha querida K,

hoje eu parei por um segundo para pensar na morte (desculpa, talvez nem seja justo tratar esse assunto contigo, mas no momento preciso de você). Ela, a morte, veio a mim através de pensamento, fiquei procurando encontrar algum motivo para justificá-la; não encontrei. Parece que não há explicação, existem apenas justificativas soltas no ar. Você sabe né, K, o motivo que me leva a tratar desse assunto?

Agora no dia dez de outubro completarão três anos que o meu pai partiu. Você acredita que a dor não passou? E o pior, ou talvez o melhor, não consigo acreditar que isso aconteceu. Lembro cada detalhe, cada momento, cada lágrima; já a dor, não sei definir. Até passei a observar a morte como a melhor resposta para vida, talvez eu esteja equivocado, mas comecei a vê-la como o maior motivo para à busca de nossos sonhos, do nosso viver; e viver bem.

Acho que você está entrando em conflito com isso que estou te escrevendo, mas não precisa tentar me entender, por favor, me ouvir nesse momento é o melhor que você pode fazer. Quando perdemos alguém, o silêncio, o carinho da outra pessoa... são tudo o que precisamos. Até pensei em tratar da sua dor, nesta carta, mas não me sinto no direito de fazer, e te peço desculpas, mas estou sem assunto, acredita, logo eu que tanto gosto de escrever...?

as esquinas e as ruas
calaram-se
as pessoas ficaram
taciturnas
meus amigos
todos
foram-se embora
fiquei sozinho
me senti sozinho
e só mesmo o olhar
relembrado e vivido
a memória do passado
me fez e faz
viver de novo
novamente
novo

adenildo lima.

Lembranças

2005. Lembro com todos os detalhes aquele momento que tivemos e vivemos. Foi um encontro à primeira vista. Você veio como quem não quer nada. Veio com um silêncio no olhar e com afago nas mãos.

- Érica, prazer.
- Prazer, Eduardo.

Suas mãos abraçaram as minhas domando o meu corpo. Seus olhos fixaram dentro dos meus. Fiquei sem reação. E percebi que esperavas de minha parte, ação. Como nada falei, fizestes perguntas soltas no ar. Olhei sua mão esquerda, algo brilhava forte, e quase me cegou. Percebi em sua fisionomia um riso disfarçado.

- Você sempre morou aqui, neste lugar tão deserto?
- Sim, respondi.
- Tem vontade de conhecer a cidade grande?
- Não.
- Como, não?

Não respondi, e procurei sentar na calçada. A lua estava bonita acompanhada por milhões de estrelas. Ela em seguida foi sentar comigo, e ficamos conversando.

- Você é casada?
- Sim, ela respondeu.
- Gosta de ser casada?

Ela mudou de assunto e começou a falar em música, poesia... falamos de vários escritores da literatura brasileira. Percebi que ela ficou admirada comigo, não esperava que eu lesse tanto. E disse que eu era muito inteligente. Ri.

...


E depois de um passeio pela praça daquela cidade, voltamos para casa. A noite conspirava ao nosso favor, e tudo nos favorecia. Lembro cada detalhe que vivemos. E aquela noite nunca mais voltou, mas nunca conseguirei esquecê-la.

adenildo lima.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Português no Brasil

"...Mas eu não sei falar Português."
"Ham... não entendi... Você não sabe falar Português? Como assim?"
"Português, professor, essa língua é muito difícil."
"Mas quem te disse que você não sabe falar Português?"
"Tanta gente, o senhor nem imagina. Sabia que até hoje, mesmo no último ano do ensino médio não sei fazer redação, aliás, tenho medo?"
"Mas o que te leva a ter medo de escrever? E a dizer que não sabe falar Português?"
"As pessoas criticam o meu sotaque, a maneira que me comunico com meus amigos... são tantas críticas que nem sei explicar, por isso cheguei a conclusão que não sei falar essa língua."
"Vinícius, no momento em que uma criança diz "mamãe, quero mamar", ela já sabe falar essa língua difícil que você acaba de concluir com suas palavras. Não existe língua difícil, Vinícius, todos nós sabemos falar Português, esse nosso tão lindo e tão rico Português-brasileiro, que tem uma diversidade linguística muito grande, aliás, o Brasil é um dos países mais rico do mundo em seu idioma. Temos tantas influências: O índio, a África, a Europa e tantos países que estão aqui em nosso território. Posso te garantir que você fala muito bem o Português, o que precisa é saber onde usar as variedades; já o sotaque, todos nós temos sotaques, ignorância de quem carrega esse preconceito.
"Nossa, nunca tinha ouvido isso. Acho que agora vou até perder o medo de escrever redação."

adenildo lima

terça-feira, 21 de setembro de 2010