quarta-feira, 28 de março de 2012

No meio do caminho, de Carlos Drummond de Andrade, declamado em vários idiomas




http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet269.htm

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
                              Carlos Drummond de Andrade
    

fonte:
http://www.memoriaviva.com.br/drummond/

segunda-feira, 26 de março de 2012

pedido de permissão

tudo o que eu peço ao humano, é que ele permita que eu o ame...

adenildo lima

Documentário: Palavra (En)cantada - de Helena Solberg


http://www.youtube.com/watch?v=cMJK0h5WsfQ&feature=related

silêncio

o grito do silêncio é gritante aos ouvidos dos surdos que se dizem bons ouvidores

adenildo lima

Poemas cantados...


sábado, 24 de março de 2012

LOBO-GUARÁ

Para Ivo Barroso

Acossado, um lobo-guará
escondeu-se dentro de João,

Acossado, um lobo-guará
escondeu-se dentro de João,
que, invisível em sua miséria,
fez-se perfeito esconderijo
do Mal, seu ingênuo hospedeiro.

fez-se perfeito esconderijo
do Mal, seu ingênuo hospedeiro.
Não muito longe, os cães da Usina
latiam em coro e varriam
o ar, com estridentes limalhas.

latiam em coro e varriam
o ar, com estridentes limalhas.
Essa Usina fica próxima
dos festivos lencóis de cana,
a mais verde e voraz das sílfides.

dos festivos lençóis de cana,
a mais verde e voraz das sílfides.
Uma noite, João despertou
com o rumor de altos latidos
e papoulas despedaçando,

com o rumor de altos latidos
e papoulas despedaçando,
pela numerosa alcateia.
Mas, quando João abriu a porta
e, desarmado, os encarou,

Mas, quando João abriu a porta
e, desarmado, os encarou,
todos os cães retrocederam,
e o silêncio cobriu de pó
cinza essa noite de glória.

e o silêncio cobriu de pó
cinza essa noite de glória.
Ao cão que rosnava mais alto,
o cão líder, João o chamou
e, orelhas baixas, ele veio

o cão líder, João o chamou
e, orelhas baixas, ele veio
ser estrangulado primeiro,
privilégio que "estava escrito"
onde, até hoje, ninguém sabe.

privilégio que "estava escrito"
onde, até hoje, ninguém sabe.
Um após outro os foi matando,
até que o sol, enlouquecido,
resolveu cremar todos eles.

até que o sol, enlouquecido,
resolveu cremar todos eles.
Quando já ia alta a amanhã,
o último cão, quase um bebê,
foi morto no colo de João.

o último cão, quase um bebê,
foi morto no colo de João.
A partir dessa longa noite,
no perímetro do mocambo,
veio o medo plantar seus cactos.

no perímetro do mocambo,
veio o medo plantar seus cactos.
E entre uivos, rezas e rosnados,
lá dentro João pedia a Deus
para seu lobo adormecer.

lá dentro João pedia a Deus
para seu lobo adormecer.

Poema de Alberto da Cunha Melo, do livro "O cão de olhos amarelos e outros poemas inéditos". Editora Girafa, SP, 2006.


KISS ACÚSTICO MTV


sexta-feira, 23 de março de 2012

O parto

O meu corpo está completo, o homem - não o poeta.
Mas eu quero e é necessário
que me sofra e me solidifique em poeta,
que destrua desde já o supérfluo e o ilusório
e me alucine na essência de mim e das coisas,
para depois, feliz ou sofrido, mas verdadeiro,
trazer-me à tona do poema
com um grito de alarma e de alarde:
ser poeta é duro e dura
e consome toda
uma existência.

Nauro Machado - um dos nossos maiores poetas contemporâneos

do livro "Seleção, melhores poemas", organizado por Hildeberto Barbosa Filho. Global editora, 2005.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Palestra: Mediação de conflitos no ambiente escolar


Palestra proferida no dia 16 de março de 2012, na Universidade Anhanguera Educacional, Campo Limpo, para estudantes dos cursos de Letras, História e Pedagogia.






segunda-feira, 19 de março de 2012

sábado, 17 de março de 2012

pétalas apodrecidas

enquanto esperamos as conquistas chegarem às nossas portas e janelas, o corpo adormece numa cama qualquer. para o corpo, é necessário exercício, ele pede isso; e as flores quando caem no chão, já não são mais as mesmas: elas perdem a essência e, muitas vezes, só restam os espinhos e as pétalas apodrecidas...

adenildo lima

quinta-feira, 15 de março de 2012

valerie

valerie, você vem como o sonho de liberdade perdido em algum olhar. vem e passa diante mim. teu vestido me abraça com um jeito leve e solto. tuas sandálias pisam a terra, e teus pés são parte integrante do chão que reclino os meus desejos. desejos de criança que deseja colo, que espera um carinho, que fica feliz com o sonho de liberdade. valerie, teus lábios molhados pela ponta de tua língua, me excita ao prazer de tê-la. e você vem como quem não quer nada. e passa. eu te observo, valerie, te desejo, te espero; sonho com teu corpo no meu abraçando os meus braços e abraços num enlaço aconchegante que chamo de amor, de carinho, de prazer.

valerie, teus cabelos soltos, movidos pelo vento, deixa o teu olhar de mulher num diálogo qualquer que eu espero um dia poder vivê-lo contigo. tua experiência, valerie, mostrada em teus passos, em teu jeito, em teu balancear ao andar: sinto-me criança em teus olhares, sinto-me perdido e encontrado nas loucuras de uma paixão, de um amor, de um prazer... vivido apenas por mim, valerie...

valerie, o caminho é apenas o destino, o que eu preciso mesmo é de sua companhia...

adenildo lima.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Entrevista com Geraldo Vandré - Imperdível!!!

FONTE; GLOBO NEWS-
PROGRAMA DOSSIÊ GLOBO NEWS
JORNALISTA-GENETON MORAES NETO

Depois de quatro décadas de isolamento, o cantor e compositor Geraldo Vandré, que se transformou em um dos maiores enigmas da MPB, resolve finalmente quebrar o silêncio. Autor de clássicos como "Disparada" e "Pra Não Dizer que Falei das Flores" -- esta, transformada em hino de manifestações contra a ditadura militar - Vandré deu uma entrevista ao repórter Geneton Moraes Neto no dia em que completava 75 anos de idade. Desde que voltou do exílio, no segundo semestre de 1973, ele não falava para a televisão.

Acessem o link!!! Vale a pena assistir, e como vale!!!

http://www.youtube.com/watch?v=TYextKTVePY


adenildo lima

quinta-feira, 8 de março de 2012

amadurecimento humano

o ser humano começa a amadurecer quando descobre que não existe destino, que o futuro sempre esteve diante dos seus olhos, que os seus amigos são suas escolhas, que viver é ter consciência, é amar aos inimigos mais do que aos próprios amigos. o ser humanos começa a amadurecer quando não se envergonha de chorar, pois ele sabe que a lágrima é a demonstração de um sentimento que poucos têm, principalmente nesta correria angustiante em que vive este homem pós-moderno. o ser humano começa a amadurecer quando entende as decisões dos outros, mesmo que não aceite, quando prefere ouvir, no lugar de falar asneiras,.

o ser humano começa a amadurecer quando descobre que o conhecimento é para ser compartilhado, vivido, multiplicado; jamais posto e imposto como imposição. o ser humano amadurece quando descobre que amar aos outros é antes de tudo amar a si mesmo.

adenildo lima.

colírios

o teu corpo esbelto ao sol como girassol, aos meus olhos, é como colírio aos delírios de um homem.

adenildo lima

quarta-feira, 7 de março de 2012

Lembrete

amigos e amigas que visitam este espaço, desculpa pelos poucos textos que estou publicando ultimamente: estou resolvendo algumas coisas pessoais, mas prometo que toda semana terá texto ou textos publicados... rs... estou em fase final de mestrado, em época de pesquisa...

abs,

adenildo lima.