domingo, 29 de dezembro de 2013

Feliz 2014

No período de um ano vivemos e vivenciamos muitas coisas boas: conhecemos pessoas maravilhosas e degustamos mais o prazer da vida com as que já conhecíamos. Tive um ano maravilhoso no mundo da escrita. E para que isso acontecesse muitas pessoas estiveram doando um pouco de si. Na vida caro amigo e querida amiga, o importante é viver. E viver é aprender a usar os espinhos para organizar as pétalas das flores. Agradeço a cada abraço, a cada sorriso, a cada experiência vivida e compartilhada com cada pessoa que nalgum momento teve um segundo de suas vidas para engrandecer as nossas.

 Em breve teremos mais um ano: 2014. Espero poder aprender muito e poder compartilhar um pouco do que eu também sei, isto é, na figura de professor e, antes de tudo, de ser humano. E no dia a dia de amigo e de estudante que continuo sendo. Na vida nunca deixamos de aprender: Isso é verdade!

Em algum lugar dois pássaros se beijam
Outros voam
Em algum lugar duas mãos se abraçam
Dois olhares se olham
Duas almas se enamoram
Dois sorrisos se contemplam

Em algum lugar o amor
É a principal arma para mudar o mundo..

Feliz 2014 para todos nós! Em 2014 voltarei

Carinhosamente,

Adenildo

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

domingo, 22 de dezembro de 2013

A crônica da vida

Os momentos que passam sempre deixam lembranças: boas ou ruins. A vida é cronometrada nos impulsos do desejo e dos sonhos. E o sonho é um desejo futurista.

O abraço na mulher amada é a concretização dos corpos que se entrelaçam nos desejos de um sonho. Quando se ama o beijo não é apenas beijo: tem sabor, tem sentido e faz sentido.

Oh, sinto o sabor dos seus lábios, Anália, e revivo cada segundo que nunca ficou para trás, pois na cronologia da existência o bom mesmo é viver enquanto se vive.

adenildo lima

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Reflexos no espelho

Na vida o ser humano só devia fazer uma coisa, e nada mais. Devia apenas AMAR. Sim, não vejo nada mais útil para se viver bem sem amor. Não vejo. É preciso e se faz necessário criarmos ao nosso redor algo que transforme o que vem de fora como ódio, em amor.

Sim, por que não apenas amar se o ódio é um câncer que mata aos poucos?

Se o outro te odeia. Ame-o! O amor pode não vencer a guerra, mas pode impedi-la antes mesmo que ela comece. Se o amor é calmo e paciente. Espere, pois quem te odeia um dia desistirá. O ódio pode ser forte. Por outro lado, não vejo imagem mais bela que aquela refletida com a essência da alma de quem ama.

Se ainda não encontrou nada para fazer, ame! E todas as outras coisas virão satisfatoriamente...

Na vida, amigo leitor e amiga leitora, o ser humano só devia fazer uma coisa: AMAR...

Adenildo Lima

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A parteira

Boa tarde!!!
Amanhã, sábado, 7/12, acontecerá o lançamento do livro A PARTEIRA lá na Av. Paulista, 509, das 15h30 às 18h30. E das 16h às 17h terá um bate-papo comigo no auditório da livraria, aliás, todo o evento será realizado no auditório. Deixo o convite a todos, ficarei muito honrado com a presença de cada um de vocês.

Desde já, muitíssimo obrigado...

Adenildo Lima

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Dois mundos

Entre mim e você existem dois mundos
E eu peço que sintas a essência das flores
Dois mundos existem em enigmas profundos
E o amor é um mundo entre cores e dores

Juntos formam um infinito mundo
Dois mundos! Sonhos de amores
Em teus abraços e beijos profundos
Oh! veja significado nas cores...

Teu riso, teu olhar; teu jeito deslumbrante
Encanta-me! Oh, tua pele suave é magia...
Espinhos e flores juntam-se adiante

Entre mim e você: muro irritante!
Quero-te aqui em prosa, beijos e poesia
Dois mundos em um: desejos avantes!

Adenildo Lima

A parteira

“A parteira é uma obra de cunho social, que retrata a vida não vivida de um povo marcado pelo descaso do poder público. A relação vida e morte é o tema central da obra, em que é questionada tanto pela personagem título enquanto ajuda dona Joana a dar à luz a alguém “onde nada reluz”, como pelo narrador quando envolve o leitor em um reviver histórico para analisar a condição de órfão das pessoas desassistidas pela mátria Brasil.”, Trecho da apresentação.

Sandra Mara da Silva Marques Mendes, formada em Letras-Anglo (UEL), Mestra em Filologia e Linguística Portuguesa (UNESP, ASSIS), professora da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO).

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A parteira, livraria Martins Fontes Paulista

Se você não puder comparecer ao lançamento sábado, dia 7 de dezembro, a livraria Martins Fontes Paulista entrega em sua casa.

Link para acesso:

http://www.martinsfontespaulista.com.br/ch/prod/458679/PARTEIRA,-A.aspx


Adenildo Lima

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Lançamento A PARTEIRA Martins Fontes Paulista

Vamaos lá? Das 16h às 17h terá um bate-papo comigo com declamação de poemas e alguns comentários sobre A PARTEIRA...

adenildo lima

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Bifurcações da existência

Clarice.

Clarice estava na casa dos trinta anos. Tinha medo da solidão, mas nunca procurou saber o que realmente ela é, isto é, se se tem uma resposta. Para os moldes da mulher moderna estava bem representada: chegar aos trinta solteira é uma evolução do pensamento feminino, e grande!, dizia seu amigo, e ela ria. E ele continuava: é possível dizer Clarice, que você representa bem a mulher atual com voz própria, e é um direito seu ter medo da solidão. Ela simplesmente ria.

É sabido que Clarice casou-se. Com o seu vestido branco foi de encontro ao altar. Sorriso acompanhado com um pouco de lágrimas nos olhos. Não se sabia se era de felicidade ou de medo da solidão. Mas como solidão se ela estava casando? É possível fazermos esta pergunta.

Quando as portas da igreja se abriram todos os olhares estavam fixados nela. Menos um. Ali existia um olhar vendo o invisível: a alma dela. A alma é invisível, pois não tem cor, nem cheiro e nem é possível pegá-la. Para um poeta, quando se adentra a alma de alguém, conhece-se um pouco dela, dizia o amigo de Clarice.

Voltemos ao casório. Na liberdade do século 21, o casal rendia-se aos SINS do padre. Juraram até fidelidade eterna, em qualquer situação. Duas alianças foram benzidas e consagradas pelo sacerdote. E o espetáculo da vida moderna era representada através de máquinas: fotos e filmagens para todos os lados.

Clarice estava casada.

Sim, Clarice estava casada. E a solidão? E o beijo de amor? Dentro de si era possível perceber a alma chorando. Por quê? Não se sabe. Também ninguém viu, exceto um olhar que via o invisível. Um beijo na testa, um outro nas alianças, um selo nos lábios representando um respeito mútuo.

E a solidão?

A solidão é uma invenção humana. Bom mesmo é estar só e adentrar um pouco mais o Eu tão desprezado por nós, pensava o amigo dela.

Depois de algum tempo Clarice perguntou o que era solidão, pois nunca tinha se sentido tão só.

Adenildo Lima

domingo, 17 de novembro de 2013

Fim de curso

Você se foi levando de mim até mesmo a esperança. Sem esperança, meu amor, nada existe.O teu sorriso dizendo-me coisas abstratas que só quem ama pode entender. Já parou para imaginar o que dizem os sorrisos? Acredito que não, não temos tempo para isso. Tudo corre muito rápido; até o amor!

Observei os teus beijos. Não em mim, no outro. Beijos frios, gélidos, maquinizados... o que te levou a essa decisão, meu amor?

Se há uma despedida? Não. Você já não existe mais para mim.

adenildo lima

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A parteira

O POETA MÁRCIO AHIMSA ADENTRA A ALMA DO LIVRO "A PARTEIRA" E LHE ENOBRECE COM UM EXCELENTE TEXTO. LEIAM:

Resenha sobre a obra: A parteira, do poeta Adenildo Lima
(Márcio Ahimsa)

“No sítio da lagartixa e do limão, ali onde mal sabiam o que era pão, a quem a pátria vomitou e, quando não mata no ventre, na vida” – Lima, Adenildo, A parteira, Editora da Gente, São Paulo, 2013.

É nesse cenário de fábulas onde a terra rachada vomita fogo em labaredas e revela suas veredas que nos deparamos com a essência humana na pele caricata de uma gente que constrói a vida pelo revés do mundo.
A parteira é uma obra concisa, estridente e real que nos mostra a tona de um povo emergindo de sua própria força, sua fé, sua esperança. Aqui, onde muitos já nascem no fim, a vida é um soslaio observando a gruta ao longe, como semente que vigora na tez de uma rocha.
A obra em si possui voz própria, a voz dos esquecidos, que é a voz de quem tem fome e não fala. Comparar a obra de Adenildo Lima com qualquer outra obra é um atrevimento, senão uma ofensa obliqua, pois se temos um caráter construtivo semântico intencional na obra de João Cabral de Melo Neto, ou com um cunho sócio psicológico proposto por Graciliano Ramos em “São Bernardo”, na pele do personagem Paulo Honório, que embrutece a alma, não temos em “A parteira” nada disso. Temos sim o menino Pedro com sua carência de brinquedo, temos a enxada latente cortando seu pé esquerdo na sinonímia de um tempo que ainda acontece na nossa contemporaneidade.
A parteira é um grito e um silêncio, é essa paradoxal verossimilhança da realidade de um país onde, de um lado é latente a dor escorrendo pelo esconderijo em tom vermelho do nosso agreste e, do outro, é como se fosse uma nódoa no tom de um conto de fadas onde se acredita em fantasias criadas, mas não se crê em verdades cruas. Para quem vive no centro ótico do mundo, o agreste, o ocre das capoeiras onde correm as crianças descalças e nuas atrás de um ópio que as tornem reais, qualquer cabra ou maracatu para espetar a dor da realidade, é apenas uma fábula ou história fantástica. Mas no leito dos extremos de uma nação, esteja ela em qualquer continente, os contos de fadas não maquiam a realidade. São verídicas as experiências de uma gente que caminha no revés da história.
Assim, a parteira é o silêncio que se faz ouvir na voz de uma gente onde um punhado de sal é a medicina, sem a charlatanice pregada nas igrejas, sem a filantropia que gera lucros.
Ali, onde Madalena é a mãe do menino abstrato, cheio de ginga e trato, é onde a realidade nos presenteia como ser existente, como ente que se faz presente na orla do ontem, como papel timbrado no prefácio do hoje do que um dia fomos, do que somos, do que ainda vamos descobrir ser.
Em “A parteira”, a mulher abre a serra e se cobre de terra. Se sente a síntese da vida. A parteira é Maria e ao mesmo tempo o enlevo da existência na sua tênue andança. É a agrura de um povo na busca de um arrebatamento: existir.
A obra “A parteira” é a primazia de um tempo de um existir humano onde grito e silêncio são sinônimos dentro de uma equação nunca exata. Pois existir não é simplesmente ser pedra. Existir sugere a mutação do tempo. Sugere ser a lâmina que decepa a própria vida e ao mesmo tempo a chama que acena para o viver.
Nessa obra o homem é assassino de si ao se permitir nascer. É filosoficamente uma catarse sobre a tragédia humana de existir. Quem constrói a realidade? O homem ou a própria realidade das coisas não passa de lembranças de um ser que morre e que, no fim, não é nada?
Nessa obra eu sinto o poeta nascendo pelos vales de sua própria palavra gritando os silêncios que nunca vem à tona, ou que estão sempre consigo amordaçados pelas sandálias que o calçam da nossa triste calçada de sonhos.
Aqui, nesse cenário de orquestra, a vitrola era um vivo morto com os versos dessa poesia retrato onde João naufragou sem sintomas, de apenas desnutrição.



Fonte: https://www.facebook.com/marcio.costa.794628/posts/10202005779963122

Lançamento do meu livro: A PARTEIRA



Lançado no dia 09 de novembro de 2013. A parteira é um poema narrativo, composto por quatro cantos, escrito em versos decassílabos. O livro tem 124 páginas. O lançamento aconteceu na Casa de Cultura Palhaço Carequinha, Grajaú, SP. O público compareceu em peso, uma média aproximada de 150 pessoas. Obrigado a todos...









quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Bom dia...

Se formos comparar a nossa vida com a existência do universo, somos apenas um lapso. Viver, amigo leitor e amiga leitora deste texto, é muito breve. E nessa brevidade não podemos guardar espaço para o ódio, para o rancor; para coisas negativas. Na vida eu aprendi apenas a fazer uma coisa: Amar e amar e amar. O amor é o único remédio que pode destruir o câncer, que chamo de: ódio, rancor, desamor. Se você quer um bom dia, amiga leitora e amigo leitor: Ame, apenas ame...


Adenildo Lima

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Momentos distraídos

Na vida existe o Outro e o Eu. Quando aprendemos a respeitar as individualidades e particularidades de cada um. Podemos também dizer que no Eu existe um ser que pode ser chamado de humano.

Adenildo Lima

domingo, 13 de outubro de 2013

CONVITE PARA O LANÇAMENTO DE MAIS UM LIVRO MEU

 Sinopse:  
A parteira, a meu ver, é o Grito Social mais urgente, depois de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto; e Poema Sujo, de Ferreira Gullar, que li até hoje. É uma narrativa artisticamente trabalhada! Modestamente eu sei reconhecer o valor de uma obra literária. Este poema é de uma riqueza inigualável! Em todos os aspectos, parece que nasceu do jeito que se lê, não me parece ter um desleixo, um excesso.

Dias Miranda - Escritor e dramaturgo


O livro "A parteira" é um poema narrativo, composto por quatro cantos, tem como predominância os versos decassílabos. O poema "A parteira" compõe o livro de 124 páginas.


O livro "A PARTEIRA", tem sinopse do escritor e dramaturgo DIAS MIRANDA. Prefácio de ISABEL DE ANDRADE MOLITERNO, mestre e doutora em letras pela Universidade de São Paulo - USP. Posfácio de MARIA VILANI, poeta, filósofa, educadora e ativista cultural. Apresentação (texto que compõe as orelhas do livro, de SANDRA MENDES, mestra em Filologia e Linguística Portuguesa (UNESP - ASSIS). Capa e quatro ilustrações do artista plástico JOÃO PAULO de MELO. E revisão de DAMI GLADES MAIDANA BAZ, mestra e doutora pela Universidade de São Paulo, USP.

Natália

Natália, mesmo depois de tanto tempo guardo o sabor do seu beijo e o cheiro de sua pele. Cheiro de sexo adentrando as narinas, levando-nos ao extremo do prazer. A vida é prazer, Natália. E não podemos deixar que o fogo que liga a chama de um lado par ao outro se apague. Hoje sinto sua falta. Mas é apenas uma falta, sei que não se pode ficar a vida toda com a mesma pessoa. Pode? Gosto mesmo dos amores múltiplos, e isso não quer dizer que eu não sinta falta dos amores vividos.

adenildo lima

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Lançamento de mais um livro meu

Boa tarde a todos e a todas! No final da próxima semana teremos a divulgação do dia, do horário e do lugar do lançamento de mais um livro meu, A PARTEIRA. Desde já conto com a presença de todos e de todas. Tenham um excelente final de semana...

adenildo lima

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Aprendendo a admirar as pedras

Um dia eu falei que estava admirando o sorriso das pedras. E elas sorriam mesmo para mim, você pode até não acreditar, mas é verdade. Observei a água brotando por suas entranhas. E a água era doce. Amarga mesmo era a lágrima de alguém que caía.

Vi a menina deitar sobre a pedra. E a pedra recebeu o seu abraço. E vi o sorriso estampado numa gravata recusar o abraço da criança. Vi tantas coisas. Vi! Só não vi o sorriso estampado, que eu esperava, da menina na passarela, em seu olhar.

Na passarela da vida existem tantos olhares fingidos. Mas estou feliz por ter visto o sorriso das pedras.

adenildo lima

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Jardim sem flores

Meu amor, a vida é um lapso num piscar de olhos. Se você não souber aproveitar as coisas mais simples; diga-se de passagem, não viveu. A poesia da existência não está numa gravata ou nos brincos de pérolas. Não, não está. Bens materiais podem ser uma chave para o teu precipício, que dão o nome de depressão, angústia, vazio.

Que bom seria se aprendêssemos a olhar no olhar do outro de igual para igual. Se víssemos o outro como um reflexo de nós mesmos, e isso não quer dizer que sejamos o outro. Não, o outro é o outro, não somos melhores do que ele em nada, a não ser que amemos um pouco mais. Tudo o que não é eterno não passa de um lapso. E o que é eterno?

A arte, por exemplo, é algo do artista, mas separado dele. Citamos o poeta. Sem demagogia, o poeta é um deus, disso acredito que não haja dúvidas. Afinal, o que é arte se nela não tiver poesia? Tudo bem, eu sei que uma coisa não tem nada a ver com a outra, ou tenha, talvez, sei lá. Mas é a poesia que é eterna, não o poeta, pois a eternidade do poeta reside em sua obra.

Meu amor, é preciso colher a essência das flores, não as flores. Para que servem as flores se nelas você não souber colher a essência? E não esqueça que o importante das flores não são as pétalas, são os espinhos.

Estranho, né? Eu também acho... Mas o que é a vida mesmo?

adenildo lima

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Clarice

Clarice, por que você me mostra tua mão esquerda com este anel de brilhante? Ah, se fosse apenas um anel de brilhante. Por detrás dos teus olhos existe um sorriso escondido, trazendo-me desejos audaciosos. Não precisa dizer nada, não precisa mostrar o que não me interessa. Se por detrás do teu olhar guarda um mistério. Oh, Clarice, vamos desvendá-lo. Quero adentrar sem medo no fogo ardente da paixão. E não me fale de amor. Amor não se explica com palavras. Amor é ato, é toque, é sentimento e, às vezes, até dor.

Clarice, o tocar dos lábios movido pelo sentimento de paixão é permitir que as almas se abracem, se beijem, se enamorem. E nada melhor do que ficar enamorado. E não me pergunte sobre o amor.

Amor mesmo, Clarice, é permitir que os melhores momentos da vida façam parte de nossa existência.

adenildo lima

domingo, 29 de setembro de 2013

Ana

Era uma sexta-feira qualquer. Sim, parecia uma sexta qualquer, mas não era. Amigo leitor e amiga leitora, peço um pouco de sua atenção para fazer a leitura deste texto, pode ser que alguma coisa os incomodem. As pessoas gostam de histórias felizes.

Peço licença para dizer que literatura é arte, não autoajuda.

Ana era uma garota de 19 anos de idade. Amava a vida ao extremo da existência. Morte? Não, quem disse que jovem pensa em morrer? Isto é assunto para velhos, dizia ela, quando alguém se referia a este tema. Sentada na calçada ela via a vida passar pelos passos corridos das pessoas no ir e vir constantemente.

Aqui interrompo a linearidade do texto para dizer que ela era casada.

A calçada estava fria, além de dura. Misturada a neblina da manhã cinzenta, caiu uma lágrima dos seus olhos. Seu olhar estava tenro, gélido, levando-a ao passado, revivendo lembranças felizes, momentos vividos nos simples detalhes do passar do dia, da noite.

E  muitas vezes nem percebemos a importância que eles têm.

Ela casou aos 16 anos de idade; foi morar com um rapaz. É importante dizer que não houve papéis. Pois em pleno século 21 casar aos moldes das assinaturas burocráticas? Não. Ana sempre foi livre, ou sempre pareceu ser livre. Afinal, a liberdade existe? Ou existe apenas o desejo de uma liberdade que nunca passa de uma escravidão construída por nós mesmos à busca da tal felicidade?

Nada se sabe, amigo leitor e amiga leitora, a vida é o que cada um vive.

A noite daquela sexta-feira estava perfeita para sair. Foi o que ela fez depois de ter brigado feio com Júlio, seu esposo.Nesta época estava com 18 anos de idade, tinha acabado de completar. Ao chegar na balada, olhou o celular, o relógio marcava meia-noite.

E como a noite foi acolhedora, para ela,  nos braços de um desconhecido.

Entre um ritmo e outro. Entre olhares e toques, através da dança, Ana, aos poucos, foi se entregando às malícias do prazer. E o ritmo colaborava! Uma cerveja, mais uma , e mais outra. Depois uísque e mais uísque. Os corpos foram se entregando, levando-os aos beijos e abraços ardentes. Uma escada, um banheiro, um piso... para as loucuras do prazer qualquer lugar é bem-vindo.

Duro mesmo é a solidão de acordar nos braços do tempo.

Amigo leitor e amiga leitora, não é possível dizer que em pleno século 21 exista ainda o conceito de traição. Isto é um termo arcaico. Vamos condenar Ana por ela ter brigado, ido à balada e transado com outro? Vamos? Por quê? Ela comentava que foi a única vez de sua vida que atingiu o extremo do prazer. Valeu a pena? O poeta diz que tudo vale a pena se a alma não é pequena.

Ruim mesmo é quando confundimos prazer com a alma.

Ana estava sentada na calçada. Sim, é sabido que vocês querem saber o que aconteceu, querem o fim da história, afinal estamos na internet e não é possível, para muitos, fazer a leitura de um texto comprido. Vamos, então, caminhar para as considerações finais desta história.

No calar da noite, muitas vezes confundimos poesia com alegoria.

Ana não sabe como, mas engravidou. Não sabe o nome do pai da criança, que acabara de nascer. Não lembra do seu rosto. Quando a criança nasceu Júlio foi todo feliz, visitá-la. Sim, é importante dizer que ele pensava que fosse o pai. Mas não chegou a olhar nos olhos da criança imaginada por ele. No caminho enquanto ia, sofreu um acidente e morreu.

A vida amiga leitora e amigo leitor é o que cada um vive.

Ana estava sentada na calçada. Estava viva? Não se sabe. Seu filho. Sim, seu filho - foi um menino que ela teve -, não tinha pai e nem padrasto. E mãe, acabara de descobrir, ali, sentada na calçada, que a vida para ela não mais existia.

Amigo leitor e amiga leitora, a vida é o que cada um vive. E vamos culpar alguém por isso?

adenildo lima   

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Fama ou sucesso?

Costumo dizer que todo o ser humano tem seus objetivos e, tendo-os, luta para consegui-los. Alguns sonham em fazer muito sucesso. Já outros desejam ardentemente conseguir a fama. Em vários momentos, e para muitos, fama e sucesso são iguais. Para mim não.

Se tem algo que eu nunca sonhei: foi um dia ser famoso. Esta palavra, inclusive, me assusta. E muitas outras surgem diante dos meus olhos: fanatismo, fanático, fã. Às vezes fico pensando e, ao observar as pessoas famosas, me vem uma angústia. Parece que elas não existem. Na minha interpretação, há uma diferença muito grande: da máscara da fama com a face de um ser real.

E o pior, ou talvez não. Não sei. Os famosos em alguns momentos parecem extraterrestres. É tão triste a face desfigurada por detrás de uma máscara. Mas poucos conseguem vê-la (a face desfigurada).

Por isso:

Sucesso eu faço desde criança. Já a fama, é algo que eu nunca almejei.

Adenildo Lima


sábado, 14 de setembro de 2013

Entrelaçamentos

Beije-me os lábios, menina.
Beije-me...
Adentre a minha alma, mulher.
Consuma-me...

Abrace-me aos poucos, menina.
Abrace-me...
Quero sentir seu cheiro narinas adentro.
Quero ouvir seus suspiros;
Respiro...

Sinta-me a pele, menina.
Sinta-me...
Enlace o seu amor no meu, mulher.
Queira-me...

Oh, menina
Como é bom seu abraço
Enlaço em mim e em ti
O ensejo de amor..

E amor mesmo é quando duas almas
Abraçam-se num só idioma...

Adenildo Lima

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Reflexão para o final de semana

Se formos levar tudo ao pé da letra, não vamos conseguir escrever uma palavra.

adenildo lima

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

por quê, bruna?

você caminha. seus passos são fortes e adentram os meus ouvidos. pergunto: por quê, bruna? não tenho respostas. continua caminhando, pisando a terra como se estivesse vingando ou se vingando de alguma coisa. te olho. recusas o meu olhar. te chamo, e pelo nome. faz que não me ouve. por quê, bruna?

o tempo parece correr contra mim. vejo que restam poucos minutos. bruna corre, e corre, e corre, e corre. parece cansar. uma melodia acaricia meus ouvidos. ela parece ouvir o canto dos pássaros. e eu fico me perguntando: por quê, bruna?

as respostas parecem não entenderem as perguntas. a comunicação não se faz. bruna parece observar o tempo, através de um pensar diacrônico, e diz em seu silêncio: a vida passa muito rápido. procura forças nas pernas. o cérebro parece não querer colaborar. uma lágrima cai acariciando sua face fanada. por quê, bruna?

a vida parece uma bailarina num palco por detrás das máscaras. mas viver é diferente, bruna. falo, e ela parece não ouvir, como sempre. o palco, bruna, é apenas o palco, já a vida... e bruna se esforça para correr. seus pés estão calejados. e o amor... parece que se foi. por quê, bruna?

 bruna... bruna... diante do espelho é tão difícil encontrar as respostas...

por quê, bruna?

adenildo lima
  

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Alquimistas do som

Link para acessar ao documentário:

http://www.youtube.com/watch?v=oFdEbC_RRNY&hd=1


Consultoria: Fernando Faro
Direção: Renato Levi
Roteiro: Fernando Salém

"Alquimistas do Som é um documentário sobre a experimentação na MPB. Alguns dos mais importantes músicos brasileiros comentam, em depoimentos exclusivos, suas incursões no experimentalismo: as origens, as motivações e as consequencias para a sua obra e para a linha evolutiva da MPB. Depoimentos atuais são ilustrados com musicais de Fernando Faro, além de outras imagens do arquivo da TV Cultura. Alquimistas dos Sons promove um emocionante reencontro dos artistas com imagens históricas da televisão".

(...)

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Adolescer


O sorriso escondido por detrás do teu olhar, menina, é o que me encanta, me fascina e me faz desejá-la. E quando os teus olhos me olham, sinto que a paixão é algo que nunca morre. É assim: uma chama esperando o soprar de um vento para incendiar as batidelas do pulsar de um coração. Ah, menina, o quanto é bom degustar o sabor de uma paixão em teus lábios.


adenildo lima

domingo, 8 de setembro de 2013

Aula inaugural de Linguística: Fiorin

Parte 1

http://www.youtube.com/watch?v=hI17FcRY2Ec&hd=1

Parte 2

http://www.youtube.com/watch?v=sD62AEF1hw0&hd=1

Publicado em 14/08/2012
Aula inaugural do Bacharelado em Linguística da UFSCar - 2012
Palestrante: Prof. Dr. José Luiz Fiorin - USP
Local: Anfiteatro Florestan Fernandes, UFSCar
Realização: Centro Acadêmico de Linguística - CALing
 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

As Aventuras de Huckleberry Finn (Mark Twain)


http://www.youtube.com/watch?v=yNU_cx7AS3I&hd=1


Sinopse:

"As Aventuras de Huckleberry Finn" é um romance do escritor norte-americano Mark Twain, publicado em 1884.
Para se livrar do pai bêbado e violento, Huckleberry Finn se refugia em uma pequena ilha do rio Mississippi, onde se alia com Jim, um escravo fugido. Em busca de liberdade, a inusitada dupla se lança numa viagem pelo leito do rio, às margens da sociedade pré-Guerra Civil.

Mark Twain construiu um ótima novela com emaranhados diversos sobre valores universais, com equidade e coerência. O duro aprendizado do menino Huck em sua lida diária, com a diminuta canoa através do grande rio, no final das contas, é a metáfora perfeita sobre a mesma jornada que todo jovem faz, em qualquer tempo e em todo lugar, aprendendo assim as lições que perdurarão para sempre em suas vidas.
Para uns, o ensino é mais complexo e intelectualizado. Para outros, mais lúdico e leve. Para o garoto da história, foi rudimentar, físico e linear.

Marco fundador da narrativa estado-unidense, o romance registrou a fala comum da gente simples e inaugurou a tradição -- central das artes americanas -- do anti-herói jovem e espirituoso que, graças à condição de desajustado, goza de uma visão privilegiada do mundo. Muitas vezes alvo de polêmicas, Huck Finn não cessa de suscitar reflexões sobre o absurdo da humanidade.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Ensaio sobre o si em mim visto por ti

Não. Não é de tema filosófico que vou falar. E quem sabe, talvez até seja, pois, se filosofia é sentir a essência da vida, que partamos agora no caminho do si em mim visto por ti.

A caminhada que chamamos de vida é longa, mesmo quando a existência do corpo feito matéria não dura muito. Recordo seu olhar, observando-me nos seus últimos momentos.

Parece que você sabia que ia abraçar o tempo, como os pássaros que voam à busca doutros horizontes. Uma lágrima caiu do seu olhar. Sim, uma lágrima também caiu dos meus olhos.

Procurei dizer alguma coisa. Não consegui. Você também tentou, mas já não falava mais. Tão jovem! Pensei comigo mesmo, no silêncio daquele momento de amor; e fúnebre!

No decorrer do pouco tempo em que ficamos ali nos olhando, vi-me através dos seus olhos. Senti-me pequeno diante do que chamamos de morte. E você parecia tão viva!

As nossas lágrimas se abraçaram através do nosso olhar. Beijei a sua face que, naquele momento, encontrava-se gélida, esfriando e esvaindo-se aos poucos. Conversamos...

Sim, conversamos, porque para se comunicar através do amor não precisa de palavras. As mãos falam ao se tocarem e a alma abraça o carinho transmitido no silêncio do si em si que se beija no sentir da pele.

Jovem! Vinte anos de idade. Vivíamos juntos há dois anos. Éramos grandes amigos e namorados. Amigos desde a infância. Foi difícil vê-la partir. Mas ela se foi tão feliz, parecia sorrir para mim.

Sim, o seu olhar ria. Hoje, quando lembro - e isso é, nunca a esqueci -, sinto vontade de chorar. Por que chorar? Pergunta o si dela em mim. Respondo que a melhor resposta é viver, e viver.

E ela viveu intensamente! Amou intensamente! Desfrutou intensamente! Penso: "para quem tanto amou, a vida nunca tem fim"...

Já as pétalas não permito que elas deixem o néctar para depois!

adenildo lima

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Versos livres de uma existência

Não são as lágrimas que me comovem. São, na verdade, os sentimentos que movem essas lágrimas. E como esses sentimentos podem ser diversos! É preciso cautela diante das faces interfaceadas de lágrimas ou sorrisos. Sim, em algum lugar existe sempre um palco de atores. Já a vida, é outra coisa...

adenildo lima

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Sarau poético


REPORTAGEM RETIRADA DO SITE: PERIFERIA EM MOVIMENTO (Por
Thiago Borges)

REPORTAGEM: Nas quebradas, a literatura chega de busão


Gente observando da janela, em cima da laje, da mesa do bar, ou enquanto passa pela rua. Na última quinta-feira (29 de agosto), o Sarau Poético chamou a atenção dos moradores do Jardim Olinda, na zona sul de São Paulo. 

Realizado em uma praça, o sarau integra o roteiro do Ônibus Biblioteca, um projeto da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de São Paulo com o objetivo de tornar a literatura acessível à população em lugares onde não há bibliotecas físicas. 

Em toda cidade, 12 ônibus equipados com um acervo de 1.000 livros infanto-juvenis e adultos de diversos gêneros, além de jornais e revistas, percorrem os extremos paulistanos. Os moradores podem pegar exemplares emprestados e devolver ou renovar na semana seguinte, quando o ônibus faz uma nova parada.

Cada ônibus cumpre seis roteiros diferentes por semana, de terça a domingo, das 10hs às 16hs. E geralmente vêm acompanhados de alguma atração cultural.

Incluído na programação do 3º Encontro Estéticas das Periferias, um dos Ônibus Biblioteca circulou pela zona sul com o Sarau Poético.

No início dos anos 90, eu já fazia atividades na rua mas depois parei. Fiquei muito feliz com a possibilidade de fazer poesia na rua”, diz Maria Vilani, professora e fundadora do Centro de Arte e Promoção Social (Caps) do Grajaú, além de ser uma das três integrantes do sarau criado em 2012 na mesma região. “Quem tem alguma coisa a acrescenter, tem que levar aonde o povo está”.

Qualquer projeto que leve a leitura para a sociedade é de grande relevância, por conta da construção de uma sociedade mais crítica”, aponta Adenildo Lima, outro membro do sarau.

Além da poesia, as apresentações do Sarau Poético também contam com música – a cargo de Diego Muñoz. “As artes são valores agregados, uma dialoga com a outra”, conclui.

 Para acessar as fotos tiradas por Thiago Borges, o mesmo que escreveu o texto, consultar a fonte:

http://periferiaemmovimento.wordpress.com/2013/09/01/reportagem-nas-quebradas-a-literatura-chega-de-busao/




1° Dia do Sarau poético com: Maria Vilani, Diego Muñoz e Adenildo Lima. Hoje foi o primeiro dia, temos apresentações até domingo, abaixo da foto deixo o link.


Créditos da foto: Roberto Lima

Rua Epaminondas Neri da Silveira, altura nº 48, Vila da Paz. Interlagos. SP

http://editoradagente.com.br/eventos.html


2° dia do Sarau poético Maria Vilani, Diego Muñoz e Adenildo Lima.



Créditos da foto: João Paulo de Melo

Local: Rua João Ferreira da Silva, 99 - Jd. Sta Margarida (Jardim Ângela) - SP
Horário: 12h30 às 13h30

http://editoradagente.com.br/eventos.html 


 3° dia do Sarau Poético:  Maria Vilani, Diego Muñoz e Adenildo Lima


Créditos da foto: Seu Cleon

Local: Rua Cardoso Moreira, 551 - Jardim Olinda - Campo Limpo, SP.
Horário: 12h


http://editoradagente.com.br/eventos.html


4°  dia do Sarau Poético:  Maria Vilani, Diego Muñoz e Adenildo Lima


Créditos da foto: João Paulo de Melo

Local: Rua Bilac, altura do nº 3865 da Av. Dona Belmira Marin, Grajaú, SP.
http://editoradagente.com.br/eventos.html

5° dia do SARAU POÉTICO:  Maria Vilani, Diego Muñoz e Adenildo Lima



Créditos da foto: Roberto Lima

Local:   Parelheiros - Jardim Ramala - Av. Paulo Guilguer Reimberg, altura nº 80, esquina Av. Sen. Teotônio Vilela, em frente ao Terminal Varginha, Praça do Trabalhador.


 
 5° dia do SARAU POÉTICO:  Maria Vilani, Diego Muñoz e Adenildo Lima



 Créditos da foto: Roberto Lima

Local:   Parelheiros - Jardim Ramala - Av. Paulo Guilguer Reimberg, altura nº 80, esquina Av. Sen. Teotônio Vilela, em frente ao Terminal Varginha, Praça do Trabalhador.



 5° dia do SARAU POÉTICO:  Maria Vilani, Diego Muñoz e Adenildo Lima






 Créditos da foto: Christiane Duarte

Local:   Parelheiros - Jardim Ramala - Av. Paulo Guilguer Reimberg, altura nº 80, esquina Av. Sen. Teotônio Vilela, em frente ao Terminal Varginha, Praça do Trabalhador.

sábado, 24 de agosto de 2013

Entre entranhas...

Um dia pensei o amor entre as entranhas da vida. Pensei! E na ânsia de querê-lo, corri à sua procura. Corri tanto, tanto e tanto. Quando estava bem cansado, lembrei do que eu tinha pensado antes: Eu tinha pensado o amor entre as entranhas da vida.

Um bom final de semana para todos...

Adenildo Lima


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Aline

Você me pergunta se estou bem. Sim, estou, respondo. O seu olhar me olha. E o meu também. Se passaram dez anos. Ouço a sua voz. Sim, dez anos, confirmo. Era muito bom aquele tempo. Todos os tempos são bons; em alguns, nós que não sabemos aproveitá-lo, falei. Concordo, disse ela, e acrescentou dizendo que a vida passa muito rápido. Depende, disse com um olhar questionador. Nossa! Lembro cada momento que vivemos juntos. A gente se amava tanto, né, Edgar? Talvez sim, talvez não, Aline, nem sempre vivemos o mesmo amor. É, concordo, disse ela.

Mas você está bem, Edgar? Sim, estou, Aline. E ela me olhou mais uma vez. Seus olhos sorriam para mim e seu semblante parecia a pétala de uma flor quando cai na água. É, talvez ninguém nunca tenha observado isso, pensei, ali diante dela. Dez anos se passaram quase sem serem percebidos. E ela insistia em perguntar se eu estava bem. Nem eu mesmo sabia se estava. Mas respondia que sim. Dela, acho que só guardei o nome. Amava o nome dela. Soava doce aos meus ouvidos. Às vezes eu até repetia: Aline.

Ali, diante de mim ela estava. Vinte e oito anos. E eu, trinta e dois. Há dez anos fomos completamente apaixonados. Brincávamos como crianças. E éramos. Sendo sincero, menti ao falar que só guardei o nome dela. Não! Sempre tive a imagem dela muito forte em minha imaginação; inclusive o cheiro do seu corpo que me fazia tão bem. Lembro até a primeira vez que fizemos amor, foi tão inusitado. Ficamos com vergonha de ficarmos nus. Mas tudo aconteceu com muito carinho e, claro, amor!

Edgar, preciso ir, o voo se aproxima. Já?, perguntei. Sim, disse ela. Abraçou-me. Senti seu cheiro adentrando minhas narinas e o seu corpo junto ao meu. Saudades, Aline, falei. Seria muito bom se você fosse conhecer minha família, tenho uma filha e um esposo bem simpático, disse ela. Abri um ar de risos, e nada respondi. Confesso que senti um pouco de ciúmes ao ouvir.

E ali no corredor do aeroporto, falei comigo mesmo: o importante é que estamos bem. Triste de quem deixa a vida passar. Nós vivemos bem, e é por isso que sentimos saudades.

Aline... este nome é tão doce, falei comigo mesmo no silêncio de quem observa a pessoa amada partir...

Adenildo Lima

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Enquanto amanhecia

Era quase manhã de um dia prestes a nascer. O sol deslumbrava-se por detrás das montanhas, e os seus raios adentravam a floresta, vindo de encontro a mim e a ela naquele amanhecer. Sim, amigo leitor, este texto será escrito para falar Dela. Recordo cada momento, cada instante vivido; e o tempo vivido foi tão pouco, se formos contar através dos ponteiros de um relógio. E até hoje eu insisto em dizer que foi amor.

Os pássaros cantavam, as galinhas ciscavam o chão no terreiro da casa, e o galo batia as asas e cantava como se estivesse dizendo: "bom dia ao novo dia". E todos os dias são um novo nascer, sonhar... ao abraçar com a esperança o sorriso ensejado por nós. E lá, enquanto o sol nascia, poeticamente falando, a rede me balançava trazendo o sabor e gosto dos lábios dela. Levantei-me!

Sim, amigo leitor, ao levantar saí contemplando a manifestação de deus, ali, presente na natureza. Lavei o rosto, escovei os dentes, olhei mais uma vez os raios do sol e fiquei encantado. Algumas pessoas tomavam café, outras brincavam, e outras mais, tomavam banho. E diante de tudo eu não conseguia esquecer o olhar diante dos meus olhos, Dela. E com um sorriso tão aconchegante!

A noite, amigo leitor, foi cheia de poesia. Tomamos vinho, ao lado de uma fogueira, tocamos violão e conversamos e conversamos. E entre uma conversa e outra, o frio da madrugada aproximava o meu corpo ao dela, o dela ao meu. Naquele encostar de corpos e carícias de mãos, nossos lábios se encontraram. E os olhos que se observavam, fecharam-se para permitir que o amor fosse visto pelo toque, pelo sentir da pele.

E foi tudo muito rápido. As nossas almas se abraçaram, poeticamente falando, e os corpos que se beijavam passaram-se a ser apenas um, no fogo ardente da paixão, que hoje chamo de amor.

Sei que o dia amanheceu, ela não estava mais presente. Saiu sem se despedir e, aqui, guardo o sabor da eternidade de um momento de amor.

Já o sol, continua brilhando e encantando os corações apaixonados...

adenildo lima

domingo, 11 de agosto de 2013

Sarau poético: Acessem o link abaixo e confiram...

SARAU POÉTICO

Com Maria Vilani, Adenildo Lima e Diego Muñoz

http://www.editoradagente.com.br/eventos.html 


SARAU POÉTICO

Com Maria Vilani, Adenildo Lima e Diego Muñoz

O objetivo principal do Sarau é compartilhar com o público a essência da poesia como parte integrante da própria vida. E, através das declamações de poemas e da harmonia musical, constrói-se o diálogo poético e reflexões sobre a poesia e o próprio ser humano, tornando o evento dinâmico e atraente para todos.



  • 27.08.13 (ter), 12h – Ônibus-Biblioteca - Vila da Paz (Zona Sul)
  • 28.08.13 (qua), 12h30 – Ônibus-Biblioteca - Jd. Sta Margarida (Zona Sul)
  • 29.08.13 (qui), 12h – Ônibus-Biblioteca - Jardim Olinda (Zona Sul)
  • 30.08.13 (sex), 13h – Ônibus-Biblioteca - Grajaú (Zona Sul)
  • 31.08.13 (sáb), 11h – Ônibus-Biblioteca - Jd. Ramala (Zona Sul)
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  • Fonte: http://www.editoradagente.com.br/eventos.html 
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  • http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/onibus_biblioteca/index.php?p=9610 
  • Coisas de ontem, crônica de hoje (O fazedor de coisas – Márcio Ahimsa)

    Quando eu era menino olhava para o chão e imaginava um imenso buraco. Espremia os olhos e me via na miopia do amanhã usando óculos em pequenas armações de arame. Essa era a minha resposta para o futuro. O que eu queria ser quando crescer. Queria ser, acima de tudo, fazedor de coisas. Dessas coisas todas, a maior era poder resolver os problemas, espantar os medos com a coragem que aprendi aos poucos pelas ruas de paralelepípedo da minha cidade. Ali, com poucas ruas e tomada de morros cobertos de relva por todos os lados e banhada por um rio, eu tinha certeza que era o centro do mundo. Meu mundo foi sempre assim: uma vastidão imensa partindo apenas de um pequeno ponto de vista, que era o que eu enxergava para além do meu quintal sem cercado. E era um mundo imenso. Meu pai carpinteiro me trouxe meu segundo presente mais precioso: um caminhãozinho de madeira que ele mesmo fizera quando trabalhava fazendo as armações de ripa para colocar o telhado da escola aonde, depois, eu viria a descobrir as primeiras letras. E, como a ocasião é quem faz, nesse caso, o fazedor de coisas, eu passei a construir meus próprios brinquedos. Caminhõezinhos de carroceria de madeira e a cabine feita de lata de óleo. Os pneus de borracha de chinelas havaianas velhas que catava em terrenos baldios. Por volta das seis horas da tarde, eu via toda aquela meninada vindo da escola com seus cadernos de brochura por debaixo do braço, ora ensacolados com embalagem de arroz, ora com embornal feito de pano. Eu já tinha sete anos de idade. Perguntava para minha mãe porque eu também não estava na escola como as outras crianças. Ela respondia que eu era muito pequenino. E era mesmo. Mas insisti muito e ela me matriculou e assim me ingressei com oito anos de idade na primeira série. Na hora do recreio a meninada sempre fazendo suas estripulias. Eu era aquém àquilo tudo. Não gostava. Encantava-me mesmo era a biblioteca da escola e seu imenso acervo, que depois ficou pequeno para mim. Li quase todos os livros. Quando chegava à minha casa, primeiro fazia a lição. Depois sim, brincava com meus amiguinhos da rua. Minha avó preta, dona Quelé , sempre contava histórias de lobisomem, saci e mula sem cabeça. Eu ficava com um medo danado, mas não me furtava a escutá-las. Era mais forte do que eu o encantamento que me causavam. Depois, lendo mais ainda, descobri que eram lendas criadas pelo imaginário popular de gente muito antiga. À beira do terreiro é que as horas passavam depois do jantar, olhando as estrelas e ouvindo o coaxar dos sapos que se hospedavam no fundo do quintal de casa, que era meio brejado. O fogão de casa era de lenha que a gente mesmo buscava nas matas aos arredores da cidade. As trilhas cheias de carrapicho eram os labirintos que me ensinavam sempre a descobrir que havia uma saída. Na miséria minha de cada dia, descobri todas as riquezas que hoje cultivo no âmago da minha alma. Eu era feliz. Era como um passarinho que podia explorar o mundo sem nenhum medo. As ruas não tinham muros, a porta de casa estava sempre aberta. O fogão era de barro, e na sala tinha a mesa com cadeiras de madeiras que meu pai mesmo fazia e, que hoje, valem uma fortuna: móveis rústicos.  E tudo que antes era considerado pobre, hoje é ornamento caro nos maiores stands de decoração. Acho que é por isso que conservo minha alma com a mesma essência daquelas coisas todas. Minha mãe tinha uma horta. Eu também tinha uma. As pessoas da época davam o maior valor para os enlatados e coisa e tal. E hoje tem muita gente ganhando dinheiro com produto orgânico. Merda de vaca dava um nojo, mas hoje é esterco de primeira qualidade para o cultivo de hortaliças que enfeitam as melhores bancadas de supermercado. Acho que é por isso que sou tão resistente às unanimidades. Alheio a tudo que envolve opinião pública e que abarca o pensamento de multidões como se o ser humano pudesse ser resumido apenas numa única forma de pensar. Não gosto de ideais, gosto de ideias distintas. Lá no meu infinito particular, no meu não tão distante tempo de outrora, ainda menino, vejo o mundo como uma mão e um boneco de fantoche onde a primeira pode ser resumida na vontade de construir a face de um povo com base no interesse de seu manipulador e o segundo é esse povo que age conforme move a mão. Eu nunca fui inocente. E hoje muito menos ainda. Agora, em meio à selva de pedra no gigantismo da megalópole, eu inventor de pequenos arranjos que desenho na minha imaginação para driblar os muros e os cercados da modernidade, continuo imaginando o imenso buraco à minha frente e tentando descobrir qual será a armação para os óculos quer irei usar para saltá-lo. Eu sou fazedor de coisas, afinal obstáculos nunca me foram tão grandes diante da minha capacidade de criar máquinas para demoli-los. Por isso estou aqui hoje, ileso, sem rupturas no meu coração, sem cicatrizes na minha pele, apenas as mãos cheias de calos por construir portas para eu entrar e sair à hora que eu bem quiser.

    Márcio Ahimsa

    Fonte: http://tecerpalavras.blogspot.com.br/2013/08/coisas-de-ontem-cronica-de-hoje-o.html

    segunda-feira, 29 de julho de 2013

    Náusea pós-moderna

    Este é o tipo de texto que dificilmente alguém vai lê-lo até o final, na internet, ultrapassa 140 caracteres, isto é, todo o tempo que temos, hoje, favorecido pela tecnologia, exige que tenhamos menos tempo, inclusive olhar o outro nos olhos e parar para escutá-lo, falta tempo. A cada dia que se passa a humanidade parece estar cada vez mais artificial; eu disse: parece, não afirmo nada. Nesta época vivida é até possível comprar amor pela internet. Como?! Alguém pode questionar com tom exclamativo. E eu responderei: pare e observe mais, pois os seus passos estão muito apressados!


    Vivemos em tempos individuais; vivemos! Mas isto não quer dizer que sejamos; e somos! O ser humano carrega em si o desejo individualista implícito. Tantas vezes vejo no olhar das pessoas a felicidade maldosa quando escuta do outro que não está bem.  Por que será que existem felicidades assim? Isto é, se possamos chamar isso de felicidade. E o desejo de ter se faz presente cada vez mais no ser que chamamos de humano. E o desejo de ser cada vez mais desaparece.


    Como falei no início, que dificilmente alguém faz a leitura completa de um texto que ultrapassa os 140 caracteres, na internet; neste terceiro parágrafo já estou escrevendo sem saber se existe algum leitor. É possível que exista, sim. Mas vamos voltar ao que estávamos comentando. Falo comentando, pelo motivo de o texto ser um diálogo de quem escreve com quem vai ler, quando lido. E é isso que faço, procuro dialogar, muitas vezes com alguém que eu nem conheço; este é o ofício de quem escreve, a solidão. Uma solidão satisfatória, cheia de graça, assim como o amor que é compartilhado sem nada cobrar.


    Vivemos numa época tão caótica  que ao sermos gentis, ao fazer algo bom para alguém, causa desconfiança. É importante que sejamos cautelosos. É importante que sejamos observadores, sim! Mas não podemos esquecer que flores têm espinhos, e o que é mais importante delas não são as pétalas, e sim a essência. É de suma relevância não perdemos a sensibilidade. Precisamos beijar a pessoa amada com os mesmos lábios que beijamos o espelho. E não importa que seja por um momento apenas, pois a pena de quem ama é simplesmente amar.


    A correria louca e brusca que a sobrevivência exige não pode ser maior do que o ar que respiramos. Existe tempo para tudo: para amar, para sorrir, para brincar, para respeitar e para ser respeitado, para dormir e para acordar, para amar e para ser amado, para sentir e para ser sentido, para doar e para receber. Existe tempo para tudo, inclusive para morrer. Sim, não fique triste amigo leitor; isto é, se existe um leitor, já que estamos, ou estou no quinto parágrafo. E talvez o tempo para morrer seja um dos mais importantes da nossa vida. Estranho, né?

    É claro que é estranho!

    Mas saiba que o mais importante da vida é que ela seja vivida...

    adenildo lima



      

    sexta-feira, 26 de julho de 2013

    Maria

    Existem tantas Marias. Sim, eu sei!
    Mas uma sempre marca a nossa vida.
    A minha é diferente. E falarei!
    Falarei da vida e não da despedida.

    Oh, Maria! O silêncio é o que proclamarei!
    O amor e o beijo na face na saída.
    Foi tudo muito rápido; o que direi?!
    Tua face ali, gélida, adormecida.

    Em mim o silêncio se fez presente.
    Momento fulminante a levou. Enfim,
    Nessa hora o amor é dor e calmante

    Numa calmaria gritante, quente e fria.
    Maria! Sangue do mesmo sangue assim:
    Enfim, guardo de ti o olhar que a mim, ria.

    adenildo lima

    quarta-feira, 24 de julho de 2013

    Uma canção de amor

    Deixe-me cantar. Sei que cantando posso abraçar a sua alma com o toque mais íntimo que os versos de um poema nos abraçam. Deixe-me cantar uma canção de amor! Mesmo que seja apenas uma canção de amor. Sim! E como seria bom se cantássemos juntos uma canção. E que seja uma canção de amor sem voz, sem palavras, sem gestos; apenas com o abraçar dos nossos olhares. Ah, deixe-me que os nossos olhos se abracem. Mas não esqueça de cantar para mim, também, uma canção de amor, de amor. Sim... e que seja uma canção de amor...

    Adenildo Lima

    terça-feira, 23 de julho de 2013

    Pedras e flores

    Vejo o seu olhar no espelho. E ele se parece muito com o meu. E você também dirá que esses olhos no espelho são seus. Penetrante como a própria vida, o semblante busca forças para caminhar. Por um deslize um sorriso mistura-se com uma lágrima que cai pela face fanada. E parece que nada naquele momento tem ou faz sentido. Sim! O olhar envergonha-se do próprio olhar procurando um pouco de sensibilidade humana que, muitas vezes, encontrada no silêncio de uma pedra.

    O corpo sente-se cansado, abalado, emergido do próprio eu. E tudo o que aquele olhar quer em seus momentos ensejantes, é amor. E ama! Mas ao olhar no espelho enxerga a desilusão perdida em uma esquina no olhar de uma menina ou de um menino, pois já não se sabe quem é, porque poucas vezes conseguimos adentrar o outro; a sua realidade, que não deixa também de ser nossa.

    E tudo o que o olhar procura e busca é amor. Mas os motores das máquinas são fortes e aos poucos tomam lugar das batidas de um coração...

    adenildo lima

    sexta-feira, 12 de julho de 2013

    Jardim das flores

    Quando a madrugada caiu Júlia apressou os passos, queria chegar ao jardim das flores. Nunca tinha conseguido das flores a essência, por isso quis aproveitar a garoa com o silêncio das três horas da madrugada.

    Júlia era uma menina, a idade não lembro, mas já tinha mais de dezoito anos. Lia poemas e gostava de música instrumental. Tinha no olhar o jeito mais sedutor que possamos imaginar. E foi por isso que eu não resisti aos seus encantos e magia que só o olhar de uma mulher pode transmitir.

    Mas o que ela queria mesmo era sentir a essência das flores. E por um instante juntos, disse ela, descobri que das flores o que importa mesmo é o beijo, já que é possível sentir o abraço da alma.

    Adenildo Lima

    Por um momento de reflexão

    Ah, deixe-me dizer que os sonhos são escadas. E sendo escadas, é necessário subir os degraus, e com cuidado, pois é perigoso cair.

    adenildo lima

    terça-feira, 2 de julho de 2013

    Vamos comprar o livro LOBISOMEM PÓS-MODERNO...

    Comprando pela Livraria Cultura, ela entrega em sua casa.

    Link para o site da Livraria Cultura:

    http://www.livrariacultura.com.br/Produto/LIVRO/LOBISOMEM-POS-MODERNO/30771336

    É só clicar no link abaixo e conhecer um pouco mais do livro da gente:

    http://pt.calameo.com/read/002028043611461a91267



    quinta-feira, 27 de junho de 2013

    A arte e o artista

    A arte e o artista

    A arte não deve surgir e ser esperada por expectativas, e sim, por construções, luta; batalha! O que vier que faça parte de toda uma caminhada.


    adenildo lima

    quinta-feira, 20 de junho de 2013

    Nuvens neblinadas

    Há um silêncio no ar nos gritos dos olhares caminhantes. Há uma interrogação no ar nas nuvens neblinadas de questionamentos soltos no vão... da existência. O olhar da menina implora uma flor. O sorriso do rapaz abraça a solidão. E milhares de pessoas saem para se olharem nas faces, já que vivemos em tempos remotos, em tempos de amizades virtuais, em tempos de poucos abraços.

    E tudo caminha adiante, parece. Os gritos sem harmonia surgem no infinito do corredor, que pode ser perigoso para um futuro prestes, presente. É necessário e importante que o respaldo concretizado nos objetivos sejam concretos. A menina caminha rua adiante e diante dos seus olhos: uma máquina enorme! Alguns deram-lhe o nome de Máquina da Pós-modernidade.

    Quando as perguntas se confundem com as respostas e as respostas se desentendem com as perguntas: o que fazer? O sorriso do rapaz parece ser contemplado com uma lágrima. O mendigo continua no mesmo lugar, isto é, se não foi pisoteado. A mãe também continua contemplando o sonho sonhado nos braços de um lar, já que poucos podem ser considerados lares.

    Deselegante abraçar as flores sem apreciar os espinhos. É ruim gostar das flores sem espinhos. A semente precisa ser cuidada com carinho e com responsabilidade. Não sejamos hipócritas, pois não cultivar o crescimento das árvores é ignorar que a sua sombra pode nos acolher. Em algum lugar do mundo os soldados marcham conforme determinam seus superiores. Não sejamos máquinas!

    E as máquinas podem manipular as imagens, e as flores podem perder a essência. Sejamos cautelosos, pois vivemos em tempos e momentos de festas, em momentos de uivos e de milhões de perguntas. Importante não são os questionamentos, importante mesmo é saber alcançar as respostas.  Porque procurar entender as metáforas é esquecer que vivê-la é mais poético.

    Do poema o que ainda me resta é que enquanto milhões não se olham mais na face, a poesia desperta em mim a sensibilidade humana em algum olhar perdido no vão da existência...

    Adenildo Lima

    quarta-feira, 12 de junho de 2013

    Flor de jasmim

    Observo-te flor do campo com essência
    De jasmim. Em mim teu cheiro adentra a alma
    E acalma o ensejo da luta na existência
    De tê-la um dia na fantasia que clama.

    A noite cai. Imagino teu olhar no meu.
    A tarde entardece. Sinto sua ausência.
    Sonhando recrio o que não nasceu,
    Mas floresceu o amor como a adolescência.

    E o amor é sempre criança que sonha
    Nos braços da pessoa amada, desejada;
    Que quer carinho. Ah, o amor é como fronha:

    Abraça e envolve o ser  e a vida sonhada.
    Ah!Quero a simplicidade dos lírios
    E a essência das flores na caminhada.

    adenildo lima

    terça-feira, 28 de maio de 2013

    Apreciando os lírios do campo

    Não! Não quero ficar sem você esta noite. Está frio, e o seu corpo me aquece. Não quero esperar pelo dia de amanhã; pode ser tarde demais. Também não quero que você vá embora. E não quero ser aquecido pelo calor do sol. É o teu calor que me traz felicidade, o sol é apenas um complemento. Gosto de ouvir a sua voz suave ao tocar dos meus lábios em sua face.

    O tempo não é tudo o que nos resta. O que nos resta mesmo é aproveitar o tempo em que estivermos juntos. Não me pergunte o que virá; como nunca perguntamos. A nossa vida sempre foi o desfrutar, mesmo que o sabor fosse amargo, as metáforas da vida. O importante não é apreciar a semente, plantá-la e cultivá-la pode ser mais interessante. O fruto virá depois, mas não precisa questionar isso.

    Não precisa falar muitas palavras, o silêncio, para quem ama, diz bem mais. Os nossos olhos quando se olham, adentram-se o sentimento mais profundo. E nada é mais intenso do que dois corpos juntos vividos como se fossem apenas um. E quem disse que não passam a ser? Quando o amor se faz presente o corpo sente e se transforma em alma.

    E o amor é a alma que acalma os sentimentos de dores desta humanidade...

    adenildo lima.

    Nós que aqui estamos por vós esperamos



    fonte: https://www.youtube.com/watch?v=maDnJcVbAoQ

    sábado, 11 de maio de 2013

    Adultos descobrindo o amor...

    O que é o amor?, Você me pergunta. E quem disse que eu sei responder?

    No silêncio da noite, sentados à mesa, as mãos se abraçam. Os olhares se namoram e se enamoram. O coração faz bater e bate os desejos apaixonados dos dois. E Carolina pergunta para Vitor o que é o amor. A voz cala, as mãos procuram responder, os olhos se fecham, os lábios se tocam. E só para quem sente o amor é possível explicá-lo e, na maioria das vezes, num silêncio!

     adenildo lima.

    sábado, 4 de maio de 2013

    Sonho de pássaro

    O silêncio do teu olhar
    O jeito de você olhar
    São metáforas
    Os teus olhares num só olhar
    Para mim

    E quando nossos olhos adentram-se
    Formam um
    Um sentimento forte
    Doma nossos corpos
    Num

    Em algum momento
    Sinto sua presença
    E lembro teu olhar
    O teu jeito de ser
    O amor em nós

    Em nós o amor parece
    Semente que nasce todos os dias
    E nasce
    Em cada beijo
    Em cada abraço
    Em cada sorriso
    Em cada diálogo
    No silêncio do olhar
    Do nosso olhar

    E quando nossos olhos se abraçam
    O amor é tão prazeroso
    Tão gostoso

    Pois amor mesmo

    É o silêncio das almas que se abraçam num silêncio

    de amor

    Num barulho

    de amor

    E que seja de amor...

    ... toda a nossa existência...

    adenildo lima

    quinta-feira, 11 de abril de 2013

    as flores no asfalto vistas no olhar de cada um que passa

    o que é a arte? pobre de mim que faço esta pergunta. se não sou capaz de vivê-la, por que questionar? são necessários os questionamentos; precisamos observar as crianças: elas são tão inteligentes! perguntam mesmo, elas sabem que precisam conhecer para viver. mas, afinal, o que é a arte?

    se algum dia alguém me perguntar qual é o papel do artista, responderei que o papel do artista é fazer arte. agora se me questionarem o motivo de o artista ir ao palco. a resposta é muito simples: feliz do artista que como ser humano consegue os aplausos do público.

    a arte é algo solitário, por mais incrível que pareça que não, é. para quem faz arte eu acredito que seja algo muito íntimo, muito profundo em seu silêncio ou grito no abraçar com a essência solta ou presa no ar. a arte, pode até não parecer, é um grito de dor ou de amor no despertar da alma de um sobrevivente que caminha sobre flores, espinhos e pedras.

    e como é difícil saber o que é arte. definir, em alguns momentos, é resumir. é óbvio que existem pessoas criativas e existem artistas. talvez a diferença de ser artista com a de ser uma pessoa criativa esteja no inexplicável: para alguns, o artista nasce. para outros, a criação se adquire.

    o papel do artista é fazer arte. e quando possível, vivê-la. mas cada um vive de acordo com sua maneira, com o seu jeito de ser. alguns conseguem compor e cantar. outros, apenas compõem. e outros, apenas cantam. a arte é infinita nesse mar profundo chamado existência.

    já as flores têm a essência conforme os sentidos de cada um... 

     adenildo lima


    segunda-feira, 8 de abril de 2013

    O silêncio...

    Quem disse que no silêncio
    Não se carrega a dor da perda de alguém
    (principalmente quando existe amor)...
    Nunca estamos preparados para alguns
    momentos inesperados...

    Sabemos que é preciso aceitar
    Pois todos em algum dia
    Também passarão por isso...

    Ultimamente aprendi a amar no silêncio
    E demonstrar quando posso...

    Observo as pedras que choram
    Observo as flores que nascem
    Observo o tempo

    ... O tempo...

    Prefiro falar da vida...

    adenildo lima

    sábado, 6 de abril de 2013

    Olhar de criança

    Ria. O mar é um grande lago. Nós que não percebemos. As crianças sabem disso. E como seria importante se todos nunca esquecem que existir é ter consciência que o conhecimento é limitado. E que a busca pelo conhecimento é uma maneira de manter a sobrevivência; em alguns momentos, não a nossa: a de vários. Por que tantas interrogações se podemos saborear a vida? Ria. O mar é infinito e não quer dizer que ele não seja um grande lago ou um lago grande.

    Na vida não é preciso ganhar o mundo. Conquistá-lo é mais importante. E conquistar algo não é ter domínio sobre ele. É necessário o diálogo, a língua de quem não está mais entre nós é o silêncio. Aprenda a ouvir. A sua razão é apenas mais uma razão. Pode até ser a Razão, mas não a definitiva. Banhe a sua face com a água do amanhecer das montanhas. Aprenda a observar o beijo do beija-flor beijando a fulô. O ser quando amado, deixa de ser apenas um ser para ser o ser amado.

    A existência pode nos enganar e, em alguns momentos, podemos dizer que somos melhores do que os demais. No fim todos somos iguais. Assim se concretiza a finitude ou infinitude da vida. Precisamos entender que choro que choramos não é por quem não se encontra mais entre nós: é pela parte deixada como vazio em nós. Amar é entender que todos somos iguais, mesmo sendo desiguais até demais.

    As metáforas dos versos de um poema não existem para explicar alguma coisa. Elas são apenas metáforas e ganharão sentido de acordo com cada um. Ria! O mar pode até parecer infinito, mas um dia tudo acabará e só o amor permanecerá em algum ser vivo. O lago também é um mar, nós que não percebemos isso. As crianças sabem disso.

    O canto do pássaro em sua miniatura não deixa de ser tão extraordinário quanto o canto de uma orquestra. É preciso observar as flores, elas sempre têm alguma coisa para nos dizer. Assim, também, como as pedras.

    Eu não quero muito de você, sonho apenas que permita que eu possa te amar. E não pergunte como é o meu amor. O meu amor é como as flores: tem o cheiro ou o sabor que você degustar ou sentir.

    O mar pode não parecer um lago, mas é um grande lago, as crianças sabem disso.

    Por isso...

    Ria...

    adenildo lima


    domingo, 31 de março de 2013

    Nota de falecimento

    Aviso aos parentes e amigos:

    Referente ao sepultamento da minha irmã, será amanhã às 9:30 da manhã, nesta segunda, dia 1º de abril. Ela, Maria de Lourdes, foi vítima de um infarto no início da noite desse sábado. Deixo este recado, através dos meus sentimentos em nome de toda a família e amigos.

    Endereço do local do sepultamento:

    Cemitério Vale da Paz, 600, Eldorado, Diadema.
    Tel: (11) 4059-3609

    Adenildo.

    sexta-feira, 29 de março de 2013

    Doces bárbaros

    http://www.youtube.com/watch?v=ycKahf13niU

    Sem voz e sem audição: só amor

    O tempo nunca é o suficiente quando esquecemos que a vida é um relapso que passa diante dos nossos olhos, disse Anália para o seu avô que, ali, sentado numa poltrona, completava 90 anos. Seu Jeremias levantou a cabeça e deixou para ela um sorriso no olhar. Em seguida fechou os olhos e nunca mais conseguiu abri-los.

    Anália e o sr. Jeremias sempre foram muito amigos: conversavam, brincavam, quando ainda era criança; tudo bem que mesmo aos 20 anos de idade não tinha deixado de ser criança, pois ser criança é nunca perder a sensibilidade que todo adulto deve ou deveria preservar, isto é, a sensibilidade incrementada com amor.

    Sim, Anália falou essa frase para seu Jeremias, através da transmissão comunicativa do olhar. Ele já não ouvia mais, também não falava. Mas quando duas pessoas se amam nada pode impedir que haja o diálogo para a convivência agradável. E foi assim que eles viveram durante os últimos 10 anos.

    adenildo lima

    sexta-feira, 22 de março de 2013

    Diálogo a dois: E a sós!

    "Bruna, você sabe o motivo de as flores do jardim não terem mais o mesmo significado?"
    "Sim, sei. A essência das pétalas tem o perfume de acordo com a nossa sensibilidade, Pedro."
    "E você acredita, Bruna, que não estamos mais sensíveis para entender o silêncio das flores?"
    "Acredito, Pedro. Nossos olhos não se olham como antigamente. Nossos corpos não se abraçam como antes. E o nosso dia a dia não tem mais o mesmo sabor".

    Ao ouvir as palavras de Bruna, Pedro parou por um momento e ficou refletindo. De seus olhos caíram uma lágrima. E confesso que aquela lágrima não era apenas uma lágrima. Tinha um sentido tão profundo que só eles dois podiam compreender.

    Eram jovens, estavam casados há três anos. Sempre foram bons amigos. O diálogo era a base de todo o relacionamento. E se amavam, sem dúvida! Mas aquele momento, Pedro sabia que podia ser algo decisivo em suas vidas. E tudo o que eles não queriam era a separação.

    "Pedro, por que o silêncio?"
    "Desculpa, Bruna. Estava pensando em nós."
    "E o que você pensou?"
    "Pensei em nosso amor."
    "E...?"
    "E descobri que está difícil para continuarmos. E sei que o motivo de você gostar de outra pessoa não é culpa sua."
    "Ham?!! Como assim?..."

    Naquele momento Bruna paralisou, pois não sabia que Pedro tivera conhecimento dos mistérios do seu coração. E ele sabia. Sabia que as noites em que ela ficou rolando na cama sem conseguir dormir, era a sua consciência doendo pelo beijo dado em outro corpo que não era o dele.

    Bruna chorou diante de sua declaração. Não podia negar: sabia que realmente ele sabia dos segredos mais profundos carregados em sua alma, que nem mesmo ela queria aceitar. E pediu perdão:

    "Pedro, você me perdoa?"
    "Bruna, quem ama não deixa de perdoar. Mas isso não quer  dizer que vamos continuar marido e mulher. Amigos, SIM."

    Ele falou essas palavras... Levantou-se e beijou sua face carinhosamente. E tudo indica que Bruna entendeu que o amor é o respeito ao outro sem ferimentos.

    E quem respeita e ama sempre quer que o outro seja feliz...

    adenildo lima


    sexta-feira, 15 de março de 2013

    Ato sublime

    Não me digas que não me amas mais. Quero que saiba que tenho um compromisso sério comigo mesmo: o de sempre amar. Não me digas que as coisas boas podem ser esquecidas. Quero que você saiba que bom mesmo é amar. Não precisa fechar a porta, se no olhar ainda tem esperança de cruzar vários batentes. O bom da vida não é apenas viver. Digo sempre que bom mesmo é sentir o sabor do que vivemos. E eu pergunto: qual sabor tem o ódio? qua sabor tem o amor?

    Se você me perguntar qual sabor tem o ódio. Digo que não sei. Na vida só aprendi a amar. Se é bom amar? Você me pergunta. É a única coisa que me faz bem. As demais são apenas consequências do meu ato de amar. E mais uma vez eu te peço: Não me digas que não me amas mais.

    O bom mesmo da vida, meu amor, é amar...

    adenildo lima.

    Michael Jackson - They Don't Care About Us

    ... eles não ligam pra gente...

    fonte: http://www.youtube.com/watch?v=QNJL6nfu__Q

    sexta-feira, 8 de março de 2013

    Para ela...

    A noite cai. E as lembranças surgem como lírios no campo. Uma imagem forte nasce e renasce em meu pensar. É ela. É a imagem dela. Depois de tanto tempo... O tempo tem esse dom, o de fazermos viver e reviver o passado em um pensar apenas. "É você mesma?" -, perguntei. "Sim, sou eu mesma" - falou ela, com ar de mistério. Por um segundo não quis acreditar, pois estava diante de uma obra de arte mais perfeita já feita pelas mãos da mãe-natureza. Era algo divino... talvez... não sei. Seus olhos adentraram os meus. Por um segundo a minha imagem refletiu em seu olhar. E a imagem dela também nos meus.

    A madrugada chega e abraça-nos ao relento do tempo, saboreando-nos com o vento suave e doce batendo em nossas faces. Conversas e conversas, histórias e histórias relembradas. Ali, sentados, ficamos tecendo a linha do tempo. E o tempo com suas regras e liberdades espontâneas, assim, como um poema nas páginas de uma gramática. Vivificamos a vida num saborear de um bate-papo. E tudo era felicidade, naquele momento.

    E o momento passou a ser lembranças boas. "Vivi, você me amava?". "Tudo o que vivemos foi amor, Vinícius.". "Mas você me amava?". - Insisti. "O amor é o que vivemos sem deixar arrependimento." - Respondeu ela. E continuamos a conversa. Ela disse que estava casada a dois anos. E já tinha um filho. Falou também que nunca me esqueceu. E não  esperava me encontrar ali ao ar livre, num churrasco organizado pela empresa.

    O sol aparece, silenciosamente, no amanhecer do dia. A festa continua no salão. E só naquele momento percebi que precisava acordar... "pois aos lírios do campo contemplo com um olhar. E você, descrita nestas linhas, deixo as minhas palavras de admiração.". Pensei, enquanto abraçava o amanhecer, refletido na obra de arte mais perfeita já feita pela as mãos da mãe-natureza.

    adenildo lima.