segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Clarice

Clarice, por que você me mostra tua mão esquerda com este anel de brilhante? Ah, se fosse apenas um anel de brilhante. Por detrás dos teus olhos existe um sorriso escondido, trazendo-me desejos audaciosos. Não precisa dizer nada, não precisa mostrar o que não me interessa. Se por detrás do teu olhar guarda um mistério. Oh, Clarice, vamos desvendá-lo. Quero adentrar sem medo no fogo ardente da paixão. E não me fale de amor. Amor não se explica com palavras. Amor é ato, é toque, é sentimento e, às vezes, até dor.

Clarice, o tocar dos lábios movido pelo sentimento de paixão é permitir que as almas se abracem, se beijem, se enamorem. E nada melhor do que ficar enamorado. E não me pergunte sobre o amor.

Amor mesmo, Clarice, é permitir que os melhores momentos da vida façam parte de nossa existência.

adenildo lima

domingo, 29 de setembro de 2013

Ana

Era uma sexta-feira qualquer. Sim, parecia uma sexta qualquer, mas não era. Amigo leitor e amiga leitora, peço um pouco de sua atenção para fazer a leitura deste texto, pode ser que alguma coisa os incomodem. As pessoas gostam de histórias felizes.

Peço licença para dizer que literatura é arte, não autoajuda.

Ana era uma garota de 19 anos de idade. Amava a vida ao extremo da existência. Morte? Não, quem disse que jovem pensa em morrer? Isto é assunto para velhos, dizia ela, quando alguém se referia a este tema. Sentada na calçada ela via a vida passar pelos passos corridos das pessoas no ir e vir constantemente.

Aqui interrompo a linearidade do texto para dizer que ela era casada.

A calçada estava fria, além de dura. Misturada a neblina da manhã cinzenta, caiu uma lágrima dos seus olhos. Seu olhar estava tenro, gélido, levando-a ao passado, revivendo lembranças felizes, momentos vividos nos simples detalhes do passar do dia, da noite.

E  muitas vezes nem percebemos a importância que eles têm.

Ela casou aos 16 anos de idade; foi morar com um rapaz. É importante dizer que não houve papéis. Pois em pleno século 21 casar aos moldes das assinaturas burocráticas? Não. Ana sempre foi livre, ou sempre pareceu ser livre. Afinal, a liberdade existe? Ou existe apenas o desejo de uma liberdade que nunca passa de uma escravidão construída por nós mesmos à busca da tal felicidade?

Nada se sabe, amigo leitor e amiga leitora, a vida é o que cada um vive.

A noite daquela sexta-feira estava perfeita para sair. Foi o que ela fez depois de ter brigado feio com Júlio, seu esposo.Nesta época estava com 18 anos de idade, tinha acabado de completar. Ao chegar na balada, olhou o celular, o relógio marcava meia-noite.

E como a noite foi acolhedora, para ela,  nos braços de um desconhecido.

Entre um ritmo e outro. Entre olhares e toques, através da dança, Ana, aos poucos, foi se entregando às malícias do prazer. E o ritmo colaborava! Uma cerveja, mais uma , e mais outra. Depois uísque e mais uísque. Os corpos foram se entregando, levando-os aos beijos e abraços ardentes. Uma escada, um banheiro, um piso... para as loucuras do prazer qualquer lugar é bem-vindo.

Duro mesmo é a solidão de acordar nos braços do tempo.

Amigo leitor e amiga leitora, não é possível dizer que em pleno século 21 exista ainda o conceito de traição. Isto é um termo arcaico. Vamos condenar Ana por ela ter brigado, ido à balada e transado com outro? Vamos? Por quê? Ela comentava que foi a única vez de sua vida que atingiu o extremo do prazer. Valeu a pena? O poeta diz que tudo vale a pena se a alma não é pequena.

Ruim mesmo é quando confundimos prazer com a alma.

Ana estava sentada na calçada. Sim, é sabido que vocês querem saber o que aconteceu, querem o fim da história, afinal estamos na internet e não é possível, para muitos, fazer a leitura de um texto comprido. Vamos, então, caminhar para as considerações finais desta história.

No calar da noite, muitas vezes confundimos poesia com alegoria.

Ana não sabe como, mas engravidou. Não sabe o nome do pai da criança, que acabara de nascer. Não lembra do seu rosto. Quando a criança nasceu Júlio foi todo feliz, visitá-la. Sim, é importante dizer que ele pensava que fosse o pai. Mas não chegou a olhar nos olhos da criança imaginada por ele. No caminho enquanto ia, sofreu um acidente e morreu.

A vida amiga leitora e amigo leitor é o que cada um vive.

Ana estava sentada na calçada. Estava viva? Não se sabe. Seu filho. Sim, seu filho - foi um menino que ela teve -, não tinha pai e nem padrasto. E mãe, acabara de descobrir, ali, sentada na calçada, que a vida para ela não mais existia.

Amigo leitor e amiga leitora, a vida é o que cada um vive. E vamos culpar alguém por isso?

adenildo lima   

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Fama ou sucesso?

Costumo dizer que todo o ser humano tem seus objetivos e, tendo-os, luta para consegui-los. Alguns sonham em fazer muito sucesso. Já outros desejam ardentemente conseguir a fama. Em vários momentos, e para muitos, fama e sucesso são iguais. Para mim não.

Se tem algo que eu nunca sonhei: foi um dia ser famoso. Esta palavra, inclusive, me assusta. E muitas outras surgem diante dos meus olhos: fanatismo, fanático, fã. Às vezes fico pensando e, ao observar as pessoas famosas, me vem uma angústia. Parece que elas não existem. Na minha interpretação, há uma diferença muito grande: da máscara da fama com a face de um ser real.

E o pior, ou talvez não. Não sei. Os famosos em alguns momentos parecem extraterrestres. É tão triste a face desfigurada por detrás de uma máscara. Mas poucos conseguem vê-la (a face desfigurada).

Por isso:

Sucesso eu faço desde criança. Já a fama, é algo que eu nunca almejei.

Adenildo Lima


sábado, 14 de setembro de 2013

Entrelaçamentos

Beije-me os lábios, menina.
Beije-me...
Adentre a minha alma, mulher.
Consuma-me...

Abrace-me aos poucos, menina.
Abrace-me...
Quero sentir seu cheiro narinas adentro.
Quero ouvir seus suspiros;
Respiro...

Sinta-me a pele, menina.
Sinta-me...
Enlace o seu amor no meu, mulher.
Queira-me...

Oh, menina
Como é bom seu abraço
Enlaço em mim e em ti
O ensejo de amor..

E amor mesmo é quando duas almas
Abraçam-se num só idioma...

Adenildo Lima

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Reflexão para o final de semana

Se formos levar tudo ao pé da letra, não vamos conseguir escrever uma palavra.

adenildo lima

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

por quê, bruna?

você caminha. seus passos são fortes e adentram os meus ouvidos. pergunto: por quê, bruna? não tenho respostas. continua caminhando, pisando a terra como se estivesse vingando ou se vingando de alguma coisa. te olho. recusas o meu olhar. te chamo, e pelo nome. faz que não me ouve. por quê, bruna?

o tempo parece correr contra mim. vejo que restam poucos minutos. bruna corre, e corre, e corre, e corre. parece cansar. uma melodia acaricia meus ouvidos. ela parece ouvir o canto dos pássaros. e eu fico me perguntando: por quê, bruna?

as respostas parecem não entenderem as perguntas. a comunicação não se faz. bruna parece observar o tempo, através de um pensar diacrônico, e diz em seu silêncio: a vida passa muito rápido. procura forças nas pernas. o cérebro parece não querer colaborar. uma lágrima cai acariciando sua face fanada. por quê, bruna?

a vida parece uma bailarina num palco por detrás das máscaras. mas viver é diferente, bruna. falo, e ela parece não ouvir, como sempre. o palco, bruna, é apenas o palco, já a vida... e bruna se esforça para correr. seus pés estão calejados. e o amor... parece que se foi. por quê, bruna?

 bruna... bruna... diante do espelho é tão difícil encontrar as respostas...

por quê, bruna?

adenildo lima
  

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Alquimistas do som

Link para acessar ao documentário:

http://www.youtube.com/watch?v=oFdEbC_RRNY&hd=1


Consultoria: Fernando Faro
Direção: Renato Levi
Roteiro: Fernando Salém

"Alquimistas do Som é um documentário sobre a experimentação na MPB. Alguns dos mais importantes músicos brasileiros comentam, em depoimentos exclusivos, suas incursões no experimentalismo: as origens, as motivações e as consequencias para a sua obra e para a linha evolutiva da MPB. Depoimentos atuais são ilustrados com musicais de Fernando Faro, além de outras imagens do arquivo da TV Cultura. Alquimistas dos Sons promove um emocionante reencontro dos artistas com imagens históricas da televisão".

(...)

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Adolescer


O sorriso escondido por detrás do teu olhar, menina, é o que me encanta, me fascina e me faz desejá-la. E quando os teus olhos me olham, sinto que a paixão é algo que nunca morre. É assim: uma chama esperando o soprar de um vento para incendiar as batidelas do pulsar de um coração. Ah, menina, o quanto é bom degustar o sabor de uma paixão em teus lábios.


adenildo lima

domingo, 8 de setembro de 2013

Aula inaugural de Linguística: Fiorin

Parte 1

http://www.youtube.com/watch?v=hI17FcRY2Ec&hd=1

Parte 2

http://www.youtube.com/watch?v=sD62AEF1hw0&hd=1

Publicado em 14/08/2012
Aula inaugural do Bacharelado em Linguística da UFSCar - 2012
Palestrante: Prof. Dr. José Luiz Fiorin - USP
Local: Anfiteatro Florestan Fernandes, UFSCar
Realização: Centro Acadêmico de Linguística - CALing
 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

As Aventuras de Huckleberry Finn (Mark Twain)


http://www.youtube.com/watch?v=yNU_cx7AS3I&hd=1


Sinopse:

"As Aventuras de Huckleberry Finn" é um romance do escritor norte-americano Mark Twain, publicado em 1884.
Para se livrar do pai bêbado e violento, Huckleberry Finn se refugia em uma pequena ilha do rio Mississippi, onde se alia com Jim, um escravo fugido. Em busca de liberdade, a inusitada dupla se lança numa viagem pelo leito do rio, às margens da sociedade pré-Guerra Civil.

Mark Twain construiu um ótima novela com emaranhados diversos sobre valores universais, com equidade e coerência. O duro aprendizado do menino Huck em sua lida diária, com a diminuta canoa através do grande rio, no final das contas, é a metáfora perfeita sobre a mesma jornada que todo jovem faz, em qualquer tempo e em todo lugar, aprendendo assim as lições que perdurarão para sempre em suas vidas.
Para uns, o ensino é mais complexo e intelectualizado. Para outros, mais lúdico e leve. Para o garoto da história, foi rudimentar, físico e linear.

Marco fundador da narrativa estado-unidense, o romance registrou a fala comum da gente simples e inaugurou a tradição -- central das artes americanas -- do anti-herói jovem e espirituoso que, graças à condição de desajustado, goza de uma visão privilegiada do mundo. Muitas vezes alvo de polêmicas, Huck Finn não cessa de suscitar reflexões sobre o absurdo da humanidade.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Ensaio sobre o si em mim visto por ti

Não. Não é de tema filosófico que vou falar. E quem sabe, talvez até seja, pois, se filosofia é sentir a essência da vida, que partamos agora no caminho do si em mim visto por ti.

A caminhada que chamamos de vida é longa, mesmo quando a existência do corpo feito matéria não dura muito. Recordo seu olhar, observando-me nos seus últimos momentos.

Parece que você sabia que ia abraçar o tempo, como os pássaros que voam à busca doutros horizontes. Uma lágrima caiu do seu olhar. Sim, uma lágrima também caiu dos meus olhos.

Procurei dizer alguma coisa. Não consegui. Você também tentou, mas já não falava mais. Tão jovem! Pensei comigo mesmo, no silêncio daquele momento de amor; e fúnebre!

No decorrer do pouco tempo em que ficamos ali nos olhando, vi-me através dos seus olhos. Senti-me pequeno diante do que chamamos de morte. E você parecia tão viva!

As nossas lágrimas se abraçaram através do nosso olhar. Beijei a sua face que, naquele momento, encontrava-se gélida, esfriando e esvaindo-se aos poucos. Conversamos...

Sim, conversamos, porque para se comunicar através do amor não precisa de palavras. As mãos falam ao se tocarem e a alma abraça o carinho transmitido no silêncio do si em si que se beija no sentir da pele.

Jovem! Vinte anos de idade. Vivíamos juntos há dois anos. Éramos grandes amigos e namorados. Amigos desde a infância. Foi difícil vê-la partir. Mas ela se foi tão feliz, parecia sorrir para mim.

Sim, o seu olhar ria. Hoje, quando lembro - e isso é, nunca a esqueci -, sinto vontade de chorar. Por que chorar? Pergunta o si dela em mim. Respondo que a melhor resposta é viver, e viver.

E ela viveu intensamente! Amou intensamente! Desfrutou intensamente! Penso: "para quem tanto amou, a vida nunca tem fim"...

Já as pétalas não permito que elas deixem o néctar para depois!

adenildo lima

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Versos livres de uma existência

Não são as lágrimas que me comovem. São, na verdade, os sentimentos que movem essas lágrimas. E como esses sentimentos podem ser diversos! É preciso cautela diante das faces interfaceadas de lágrimas ou sorrisos. Sim, em algum lugar existe sempre um palco de atores. Já a vida, é outra coisa...

adenildo lima